Único para uma psicologia muito tempo

Uma vez que tenha definido uma boa técnica é importante entender como funciona seu aprendizado. O que é melhor para seu aprendizado. Algumas pessoas ainda estão presas ao conceito de que quanto mais tempo eu me dedicar em um dia para aprender, melhor vou ficar, e esse tipo de pensamento não é tão óbvio assim. O insight que ele teve foi: “vou fazer apenas uma única flexão. Fazer uma única flexão é fácil. Eu posso fazer isso. Eu consigo. Para uma única flexão não existe resistência”. E foi o que ele fez. E, a partir daí, ele começou a notar a força dos mini-hábitos. O conceito de mini-hábitos. Fazer uma única flexão. Escrever um ... A Etologia é uma ciência recente com origem na Europa por volta de 1930, cujos fundadores são Konrad Lorenz e Nico Tinbergen. Em 1973 os dois receberam o prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas e pressupostos para explicar o comportamento animal. Porém, bem antes disso, Darwin foi um etólogo antes mesmo da palavra ter sido inventada ... Envelhecer é o único meio de viver muito tempo. A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço. O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude não é havê-las cometido e sim não poder voltar a cometê-las. Envelhecer é passar da paixão para a compaixão. Por muito tempo, precisávamos de alguém a quem recorrer em momentos difíceis, mas não conseguíamos verbalizar nosso sofrimento. A ideia de se abrir com um psicólogo, um estranho, assusta a muitos, mesmo que ele guarde sigilo sobre a consulta. Sendo assim, descubra mais sobre a Psicologia online e onde fazer uma consulta. Sobre a ... 'A psicologia de hoje em dia faz das pessoas infelizes menos infelizes'. 'Se o único que tivéssemos fosse emoções positivas, nossa espécie já teria morrido há muito tempo'. 'Mudar as coisas más que dizemos a nos mesmos quando houver algum contratempo normal da vida que todos ultrapassamos, é a habilidade central do otimismo'. Página inicial / Meus cursos / DE-2019-2 / Módulo Único / Exercícios de Fixação - Módulo Único. Iniciado em terça, 22 out 2019, 12:34 Estado Finalizada Concluída em terça, 22 out 2019, 12:45 Tempo 11 minutos 14 segundos empregado Avaliar 100,00 de um máximo de 100,00. Questão 1 De acordo com o texto estudado, deve haver na jornada diária um tempo para descanso. mais de 80 anos, e os homens muitas vezes alcançam os 73. Essa dádiva de tempo nos aju - dou a entender que a saúde é muito mais que estar livre da doença. Mais do que nunca, podemos ir além do modo de sobrevivência e trabalhar para ter vitalidade para a vida “Tenho que encontrar a minha única paixão, algo que gosto muito e fazer isso para sempre”. Todos estes pensamentos baseiam-se nesta crença de uma única ideia, um único caminho, uma única paixão. Às vezes isso se torna uma idealização romântica do trabalho do perfeito. AFM Psicologia Positiva, atendimento psicológico especializado, diferenciado e com qualidade, surpreenda-se. Atendimento presencial e online. Entre em contato para marcar uma sessão.

Manifesto de Theodore Kaczynski (Unabomber), grande filosofo que popularizou o anarco-primitivismo

2020.09.13 08:06 pissass5 Manifesto de Theodore Kaczynski (Unabomber), grande filosofo que popularizou o anarco-primitivismo

A sociedade industrial e suas consequências têm sido um desastre para a raça humana. Elas não apenas aumentaram em muito a expectativa de vida nos países "avançados", como também desestabilizaram a sociedade, tornaram a vida frustrante, sujeitaram os seres humanos a indignidades, provocaram sofrimento psicológico generalizado (no Terceiro Mundo, sofrimentos físicos também) e infligiram graves danos ao mundo natural. O contínuo desenvolvimento da tecnologia irá agravar essa situação.O sistema tecnológico industrial poderá sobreviver, ou poderá entrar em colapso. Se sobreviver, é possível -apenas possível- que com o tempo chegue a um nível reduzido de sofrimento físico e psicológico. Mas isso só poderá acontecer depois de passado um período longo e muito doloroso de adaptação, e apenas ao custo da redução permanente dos seres humanos e muitos outros organismos vivos à situação de produtos criados artificialmente e meras peças na máquina social.Se o sistema entrar em colapso, as consequências serão muito dolorosas. Mas quanto mais o sistema crescer mais desastrosos serão os resultados de sua ruptura. Portanto, se pretendemos provocar sua ruptura é melhor fazê-lo mais cedo do que mais tarde.Por essas razões defendemos uma revolução contra o sistema industrial. Essa revolução pode ou não fazer uso da violência. Ela poderá ser repentina ou ser um processo relativamente gradativo, estendendo-se por algumas décadas.A Psicologia do Esquerdismo ModernoUma das manifestações mais difundidas da doidice de nosso mundo é o esquerdismo, de modo que uma discussão da psicologia do esquerdismo pode funcionar como introdução à discussão da sociedade moderna.Chamamos às duas tendências psicológicas subjacentes ao esquerdismo moderno de "sentimentos de inferioridade" e "supersocialização".Quando dizemos "sentimentos de inferioridade" queremos dizer não apenas sentimentos de inferioridade no sentido restrito do termo, mas todo um espectro de traços relacionados: baixa auto-estima, sentimentos de impotência, tendências depressivas, derrotismo, culpa, raiva de si mesmo, etc...Os esquerdistas são hipersensíveis em relação às palavras usadas para designar integrantes de minorias e a qualquer coisa que seja dita relativa às minorias. Os termos "negro", "oriental", "deficiente físico" ou "gata" para designar um africano, um asiático, uma pessoa incapacitada ou uma mulher não tinham, originalmente, qualquer conotação pejorativa.Muitos esquerdistas identificam-se profundamente com os problemas de grupos que transmitem imagens de fracos (mulheres), derrotados (índios americanos), repulsivos (homossexuais) ou inferiores de alguma outra maneira. Os próprios esquerdistas sentem que esses grupos são inferiores. Jamais admitiriam a si mesmos que têm tais sentimentos, mas é porque realmente vêem esses grupos como inferiores que se identificam com seus problemas.Os esquerdistas tendem a odiar qualquer coisa que transmita a imagem de ser forte, bom e bem-sucedido. Eles odeiam os EUA, odeiam a civilização ocidental, odeiam os homens brancos, odeiam o que é racional.Note-se a tendência masoquista das táticas esquerdistas. Os esquerdistas fazem protestos deitando-se no chão na frente de veículos. Nesses protestos, eles provocam a polícia, intencionalmente, a cometer abusos contra eles. Essas táticas podem muitas vezes funcionar, mas muitos esquerdistas as utilizam não como meios para atingir um fim, mas porque preferem táticas masoquistas. O ódio a si mesmo é uma característica esquerdista.Se nossa sociedade não tivesse nenhum problema, os esquerdistas teriam que inventar problemas para conseguir armar confusão.SupersocializaçãoAlgumas pessoas são tão altamente socializadas que a tentativa de pensar, sentir e agir moralmente impõe um peso muito grande a elas. Para evitar seus sentimentos de culpa, elas precisam enganar-se continuamente sobre suas verdadeiras motivações e encontrar explicações morais para sentimentos e atos que na realidade têm uma origem não moral. Utilizamos o termo "supersocializado" para descrever tais pessoas.Sugerimos que a supersocialização é uma das piores crueldades que os seres humanos infligem uns aos outros.O processo do poderOs seres humanos têm a necessidade (provavelmente originária de razões biológicas) de algo ao qual chamaremos "processo do poder". Este processo está intimamente ligado à necessidade de poder (que é amplamente reconhecida), mas não é exatamente a mesma coisa.É verdade que alguns indivíduos parecem ter pouca necessidade de autonomia. Ou seu desejo de poder é fraco, ou elas o satisfazem através da identificação com alguma organização poderosa da qual fazem parte. E existem também aquelas pessoas que não pensam, tipos animais que parecem se satisfazer com uma sensação de poder puramente físico.Mas para a maioria das pessoas, é por meio do processo do poder que se adquire auto-estima, autoconfiança e um senso de poder -ter uma meta, fazer um esforço autônomo e atingir essa meta. Quando não se tem uma oportunidade adequada de viver o processo de poder, as consequências são (dependendo do indivíduo e da maneira pela qual o processo de poder é perturbado) tédio, desmoralização, baixa auto-estima, sentimentos de inferioridade, derrotismo, depressão, ansiedade, sentimentos de culpa, frustração, hostilidade, abuso de cônjuge ou crianças, hedonismo insaciável, comportamentos sexuais anormais, desordens do sono, desordens alimentares, etc.Raízes dos Problemas SociaisAtribuímos os problemas sociais e psicológicos da sociedade moderna ao fato de que a sociedade exige que as pessoas vivam sob condições radicalmente diferentes daquelas nas quais a raça humana evoluiu, e se comportem de maneiras que entram em conflito com os padrões de comportamento que a raça humana desenvolveu enquanto vivia sob condições anteriores.Entre as condições anormais presentes na sociedade industrial moderna figuram a densidade demográfica excessiva, a separação entre o homem e a natureza, a rapidez excessiva das transformações sociais e a ruptura das comunidades naturais em pequena escala, como a família extensa, a aldeia ou a tribo.Os conservadores são idiotas: eles se queixam da decadência dos valores tradicionais, mas apóiam entusiasticamente o progresso tecnológico e o crescimento econômico. Ao que parece, nunca lhes ocorre que não se pode operar transformações drásticas e velozes na tecnologia e economia de uma sociedade sem provocar transformações velozes em todos os outros aspectos da sociedade também, e que tais transformações velozes levam inevitavelmente à ruptura dos valores tradicionais.Outra razão pela qual a sociedade não pode ser reformada em favor da liberdade é que a tecnologia moderna é um sistema unificado no qual todas as partes são interdependentes. Não se pode livrar-se das partes "ruins" da tecnologia e manter apenas as partes "boas". Tomemos o caso da medicina moderna. Os avanços na ciência médica dependem dos avanços nos campos da química, física, biologia, informática e outros. Os tratamentos médicos avançados exigem equipamentos caros de alta tecnologia que só podem ser assegurados por uma sociedade tecnologicamente progressiva e economicamente rica. É evidente que não se pode ter muitos progressos na medicina sem o sistema tecnológico inteiro e tudo que o acompanha.Revolução é mais fácil do que reformaA única saída é dispensar o sistema tecnológico industrial inteiro. Isso implica uma revolução, não necessariamente um levante armado, mas com certeza uma transformação radical e fundamental da natureza da sociedade.O que sugerimos é que a raça humana poderia facilmente chegar a um ponto em que sua dependência das máquinas seria tão grande que não lhe restaria nenhuma opção prática senão aceitar todas as decisões das máquinas. À medida que a sociedade e os problemas que a confrontam se tornam mais e mais complexos e as máquinas ficam mais e mais inteligentes, as pessoas vão deixar as máquinas tomarem cada vez mais decisões em seu lugar, simplesmente porque as decisões tomadas pelas máquinas trarão melhores resultados do que as decisões tomadas pelos homens. Com o tempo, é possível que se chegue a um estágio em que as decisões necessárias para manter o sistema funcionando sejam tão complexas que os seres humanos serão incapazes de tomá-las inteligentemente. Quando se chegar a esse estágio, as máquinas estarão, efetivamente, no controle. As pessoas não poderão simplesmente desligar as máquinas porque elas estarão tão dependentes delas que desligá-las equivaleria a cometer suicídio.EstratégiaAs duas principais tarefas para o presente são promover o estresse social e a instabilidade na sociedade industrial, e desenvolver e difundir uma ideologia que se oponha à tecnologia e ao sistema industrial. Quando o sistema ficar suficientemente estressado e instável, uma revolução contra a tecnologia pode tornar-se possível.Quanto às consequências negativas da eliminação da sociedade industrial, bem, dois proveitos não cabem num saco só. Para ganhar uma coisa, é preciso sacrificar outra.A maioria das pessoas odeia conflitos psicológicos. Por essa razão elas evitam pensar seriamente sobre qualquer problema social grave, e gostam que esses problemas lhes sejam apresentados em termos simples, preto no branco. A revolução precisa ser internacional e mundial. Ela não pode ser realizada de nação em nação. Toda vez que se sugere que os EUA, por exemplo, deveriam frear seu progresso tecnológico ou crescimento econômico, as pessoas ficam histéricas e começam a gritar que se cairmos para segundo lugar em termos tecnológicos os japoneses vão assumir a dianteira.Seria inútil os revolucionários tentarem atacar o sistema sem utilizar um pouco da tecnologia moderna. Eles precisam, no mínimo, utilizar a mídia para divulgar sua mensagem. Mas deveriam recorrer à tecnologia moderna para apenas um fim: atacar o sistema tecnológico.Com relação à estratégia revolucionária, os únicos pontos sobre os quais insistimos totalmente são que a única meta que se sobrepõe a todas as outras deve ser a eliminação da tecnologia moderna, e que não se deve permitir que nenhuma outra meta compita com essa.
Edit: Isso é apenas um trecho.
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2020.09.01 16:38 Zuriis Sobre o caso do veterinário indicado para cargo de imunização

Comentei no post desse sub que havia muito descaso com a profissão em relação à chamada da notícia. Fui baixo votado e resolvi trazer essa discussão.
Primeiro gostaria de falar que as divisões de áreas que colocamos nas ciências hoje são meramente formais. Como veterinário eu preciso estudar cálculo e estatística se eu for trabalhar com epidemiologia, modelagem populacional, entre outros. Preciso estudar psicologia, geografia, ciências sociais para entender o contexto da minha área de atuação. Assim como um cientista social precisa estudar evolução, estatística e cálculo se quiser ser pesquisador. Assim como um físico precisa estudar evolução, bioquímica, psicologia e ciências sociais dependendo da área de atuação. As barreiras do conhecimento não são claras, pelo menos para mim.
Dito isso, li absurdos em relação à nomeação do veterinário pro programa de imunização. "Vá se tratar com médico de animais quando estiver doente". Mas os seres humanos são animais! "Como um médico veterinário está apto se não conhece anatomia humana?". Pro cargo de imunologia?! "Medicina humana e animal são muito diferentes, vai se tratar num veterinário!". A diferença é meramente formal, as matérias básicas são as mesmas, apesar da capacitação clínica ser focada nas particularidades da espécie. Enfim, um show de horrores.
Meu objetivo aqui é mostrar como a divisão técnica do trabalho nem sempre coincide com a divisão do conhecimento. Os profissionais da área da saúde, até das biológicas, e aqui incluo por conhecimento pessoal: biólogos, biomédicos, médicos, médicos veterinários, farmacêuticos, engenheiros ambientais/alimentos/biossistemas, zootecnistas; todos eles trabalham em prol da vida humana e com um conhecimento compartilhado muito semelhante, desde evolução, até cálculo e ciências sociais.
No caso da veterinária de produção isso é ainda mais chocante: quando um animal é economicamente inviável, ele é descartado, muitas vezes abatido. Ele é abatido para que o sistema econômico, essencial pro ignorante do ser humano, não seja comprometido. E depois temos que ouvir que o veterinário não é capacitado pra tratar de um assunto tão geral como imunização?
Pra complementar deixo um texto compartilhado por um veterano meu, que hoje da aulas, até na FM USP (assim como outros prof meus), reiterando a multidisciplinaridade do conhecimento:
" Você sabia que: 1. Os grandes microbiologistas e imunologistas da história são médicos veterinários? 2. Que o homem é o único animal que clinicamente o médico veterinário não atua mas laboratorialmente atua na linha frente de diversos exames, desenvolvimento e pesquisas de doenças infecciosas humanas? 3. Que na equipe técnica dos institutos de pesquisas médicas que trabalham com vacinas e medicamentos o médico veterinário é um profissional praticamente que onipresente? 4. Que o sanitarismo moderno tem como figuras historicamente importantes médicos veterinários? 5. Que secularmente a medicina não era dividida em humana e veterinária e até não muito pouco tempo atrás o médico veterinário e o humano se sentavam juntos na sala de aula enquanto se graduavam? Se você NÃO SABIA eu entendo sua surpresa em ver um médico veterinário ser nomeado para chefiar a linha de frente do combate a pandemia de COVID19. Mas se você SABIA e está fazendo/repassando posts e tecendo comentários indignado sobre essa nomeação por motivos políticos-partidários você é um cretino hipócrita mau caráter.
📷 Ignorante (não no sentido pejorativo) é um indivíduo que desconhece algo, mas burro (com perdão ao animal) é aquele que ignora algo o conhecendo 📷
Poderia escrever um texto enorme sobre grandes sanitaristas ou dando diversos exemplos de trabalhos sanitários históricos e atuais da atuação veterinária, mas sei que a turma dá mais atenção a mente brilhante da genial artista Anitta enquanto ela rebola e discute o pum da vaca ou do seu político de estimação.
Você não precisa concordar ou aceitar o que esse rélis socrático desconhecido está dizendo e também não vou discutir com nínguém.
📷 se cuidem, cuidem dos outros, deixem ser cuidados!!!! Boas atitudes e boas informações farão a diferença, o resto é tudo "achismo"!
Guilherme Augusto Marietto Gonçalves"
Pra finalizar, gostaria de ressaltar que essa aberração que nasceu da indicação de um veterinário pro cargo de imunologia me parece que resulta de um afastamento da militância da esquerda com o conhecimento que advém da racionalidade. Se você leu essa crítica e conseguiu entender o nosso ponto e ao mesmo tempo entender que eu posso (e sou) crítico ao governo Bolsonaro, me parece que trilhamos o mesmo rumo. Caso contrário, se segue a linha do "não sou um animal", me parece que a sua militância é baseada no que a oposição intitula como lacração, e você não passa de um escravo da crítica social foda. Não me parece coincidência de que os que consolidaram a crítica da razão no ocidente sejam os racionalistas, os temidos "liberais" Hume, Kant, Smith...
"Mantenha os amigos sempre perto de você e os inimigos mais perto ainda. Mas nossos inimigos mais perigosos são aqueles que nós nunca pensávamos ter. Nunca odeie seus inimigos, isso afeta seu julgamento."
Enfim, não nos afastemos da crítica da razão. Mergulhemos nela para construir uma crítica séria, ao Bolsonaro e aos problemas contemporâneos, mas não aos veterinários que trabalham seriamente com imunização!
Reiterando que o post não tem a finalidade de discutir a capacidade técnica do indivíduo. Se achou da crítica válida da um cima voto, se não, comente aqui para que possamos discutir.
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2020.08.26 09:34 marvinpls desesperado para conseguir um trabalho, e ao mesmo tempo arrependido

sobre o desespero:
eu sei o que vão dizer, que a hora chega pra todo mundo, que é só continuar tentando e não desistir e yada yada, mas é frustrante demais isso tudo.
estou no pior ano da minha vida. tenho 22 anos, estou no 10° de psicologia, tenho uma situação "estável" em casa (financeiramente), e estou há semestres procurando uma forma de trabalhar na minha área. esse ano foi bomba demais, problemas severos no meu relacionamento e família, eu sei que o ano não acabou ainda, mas se ficasse pior de como foi nesses últimos meses, acho que teria me matado já.
estou socando meu currículo em todas as vagas possíveis para estagiário, mas acho que não vai rolar mais visto que estou muito avançado no curso pra continuar procurando estágio, e um contrato empregatício seria um desperdício por um único semestre que já se iniciou.
e como se não fosse bastante, estou sem muitas expectativas para o futuro pós formado. eu tenho uma vida muito conturbada em casa (brigas quase diárias, delegação de problemas emocionais que não são meus, etc... mas pelo menos não estou morrendo de fome, né?), e também já sou meio torto das ideias. tudo o que eu mais quero é acabar a faculdade e começar a trabalhar. na verdade eu queria estar trabalhando há muito muito tempo, há anos, mas nunca consegui, e hoje não sei mais o que fazer.
todos os dias vou dormir super tarde mesmo tendo aula às 7 da manhã. sou esforçado, sempre tive notas boas e fui muito interessado pela minha área, então ter 2 3 horas de sono pra assistir aula não é um problema, eu só quero resolver essa merda de desemprego, quero capitalizar meu conhecimento de alguma forma mas não consigo. eu sei que muitos vão dizer que ficar empregado não mudaria todos os meus problemas, mas eu digo que resolveria pelo menos a maioria esmagadora.
sobre o arrependimento:
o "semancol" veio tarde. eu percebi que deveria estar investindo em apenas uma única coisa desde o primeiro período, ainda mais numa área que mal dá dinheiro no brasil. algumas pessoas tiveram oportunidades incríveis na minha frente, e eu só fui entender o porque dela ter conseguido isso muito tempo depois.
como faço faculdade particular, não tem muitas vagas remuneradas para estudantes, e as que houve não se encaixava no meu perfil por eu ser FIES. e como estou numa particular, eu tenho obrigação de estar ganhando dinheiro o quanto antes pra pagar minha dívida e ter alguma liberdade financeira.
por fim:
tô desesperado, sem cartas na manga. eu sempre quis fazer concurso público, mas sempre me pareceu muito incerto visto que não se sabe quando vai abrir e por onde. ando acompanhando alguns editais, e por conta do COVID não se sabe quando eles vão reabrir.
eu quero começar do zero. quero me sentir menos inútil por ser só um estudante medíocre que não consegue ganhar dinheiro e está atrás de todo mundo que conhece. preciso de um caminho certeiro que eu possa trabalhar duro sem pensar que vou engavetar meu diploma.
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2020.08.25 04:10 maribelley Eu queria muito encontrar um gênio da lâmpada

Eu, desde criança, sempre gostei muito de pensar em cenários de "e se?" de fantasia. Tipo, "e se existissem fadas mesmo?" ou "e se existisse mesmo uma sereia?". Claro, conforme eu fui crescendo, eu fui entendendo que essas coisas não existem na vida real. Mas eu gosto muito de imaginar!
Um desses cenários que eu gosto muito de imaginar antes de dormir é o que eu desejaria se encontrasse um gênio da lâmpada. Pode parecer bobagem, mas é algo que eu penso há muitos anos. Eu sempre fico pensando o que eu desejaria.
O primeiro desejo, acho que é o mesmo pra todo mundo, é dinheiro, óbvio. Eu queria ter muito dinheiro! Com dinheiro, eu ia poder fazer várias coisas: posso comprar uma casa pro meu pai, posso dar presentes pros meus amigos, posso viajar pra lugares finos e caros, posso ajudar ONGs, posso fazer muita coisa. Dinheiro não traz felicidade, mas resolve muitos problemas e proporciona várias coisas que aumentam a felicidade.
E eu reservaria um desejo para libertar o gênio, claro. Porque parece a coisa certa a se fazer. Então eu teria que escolher muito bem o meu segundo desejo (o primeiro é grana, sempre grana).
O segundo desejo mudou muito conforme os anos. Quando eu era mais nova, eu pensava que pediria pro gênio me dar o poder de mudar totalmente minha aparência. Não que eu não goste de como eu sou, mas eu gostaria de ser outra pessoa para ver como é. Gostaria de ser um homem, gostaria de ser mais alta, gostaria de ter cabelo cacheado, etc. Gostaria de experimentar aparências diferentes.
Também quando mais nova, eu pensava muito que eu gostaria de ter o poder tipo de trazer personagens fictícios para a realidade. Eu tinha pensado muito detalhadamente em como fazer isso funcionar, porque gênios da lâmpada sempre encontram brechas pra ferrar quem faz os desejos, né. Mas quando eu era adolescente, eu não tinha amigos. Então, eu pensava que seria muito legal ter o poder de invocar, por exemplo, o Goku para ser meu amigo pelo menos por um dia. Ou o Garrus de Mass Effect ou o Harry Potter. Eu adorava pensar nessa possibilidade!
Mas nos últimos anos, sempre que eu penso nesse cenário de "o que eu faria se encontrasse um gênio da lâmpada", eu penso que pediria pra ele para viver a minha vida de novo, com o conhecimento que eu tenho agora (e o dinheiro todo do primeiro desejo, claro).
Eu sinto que eu não tive tempo o suficiente com algumas pessoas, tipo minha mãe e os meus avós, e não aproveitei tanto a companhia delas como deveria e gostaria. Também sinto que deveria ter decidido melhor qual curso e qual profissão seguir. Eu sempre quis fazer design de moda, mas acabei na engenharia civil, depois na psicologia, depois na história, e depois psicologia de novo. Eu devia ter feito design de alguma coisa, acho que teria muito mais a ver comigo e eu não teria perdido tanto tempo como perdi cursando coisas que eu não gostava e que me fodia pra pagar.
Nesse cenário, o único problema que eu vejo, é como eu encontraria os amigos que eu tenho hoje em dia? Todos os poucos amigos que eu tenho eu fiz cursando esses cursos que eu não gostei. Uma das minhas amigas seria fácil de reencontrar (ela é super simpática, eu podia chamar ela pra conversar no Insta e íamos ser amigas de novo, tenho certeza), mas os outros precisaram de circunstâncias muito específicas para eu conhecê-los.
Então eu fico nesse conflito por um cenário hipotético que eu criei de alguma coisa que jamais irá acontecer! Hahahaha
Sim, completamente bobagem, mas só quis compartilhar minhas viagens com vocês. O que vocês pediriam pra um gênio da lâmpada? Gostam de ficar imaginando bobagens também?
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2020.08.06 15:14 psicojfg Reflexões da vida

Saudações a tods!

Quero aproveitar esse espaço para escrever um pouco sobre reflexões que tive nos últimos meses. Terminei um relacionamento de 5 anos em 2019 e isso me destruiu por completo. Tinha em minha mente um futuro com ela e vi tudo desmoronando aos poucos, até que tive uma fagulha de coragem e pedi pra terminar.
As coisas não foram boas pra minha saúde mental. Desde aquele fatídico julho de 2019 eu não conseguia me sentir feliz/realizado por nada. Trabalhei em três empregos que amava em 2019, já em 2020, por mais que a Pandemia esteja nos massacrando fisico e mentalmente, várias oportunidade e situações aconteceram e, ainda assim, pouco tesão na vida.

Contudo, durante todo esse tempo, tive a oportunidade necessária pra me curar internamente. Comecei um canal no youtube pra falar sobre psicologia (minha profissão), jogos e cultura no geral, estou tendo bastante procura em minha clínica (seja online ou presencial), estou prestes a finalizar minha pesquisa para acabar a pós graduação em neuropsicologia e estou me sentindo melhor.

Desde que me lembro, em meus 30 anos de vida, tudo foi difícil rpa mim. A única coisa que não passei na minha vida foi fome, mas necessidade, dificuldade e todas as coisas mais eu já tive de enfrentar e sempre me superei. A minha reflexão é que o tempo é maior do que nós, metaforicamente e fisicamente falando. Amo ler sobre astronomia e o entendimento do tempo do universo me faz ter uma sensação de calma profunda, me ajudando a ver que eu preciso saber dar o tempo certo para as coisas acontecerem e aproveita-lo ao máximo de minhas habilidades, pq será o único que terei.

Tudo isso não é da boca pra fora. Eu fiz anos de terapia, anos para atingir esse autoconhecimento. E não tome minha reflexão como certeza absoluta. Saber lidar pacificamente com o tempo pode não resolver pra todo mundo, talvez faltará prática, talvez seja melhor lidar com o tempo na terapia.

Espero que essa breve reflexão possa ter te ajudado de alguma forma. Muito obrigado pelo seu tempo e continue sendo incrível!
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2020.08.01 20:03 hebreubolado Crítica cinematográfica do filme Mogli - O Menino Lobo (2016) do Jon Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Referências: KIPLING, R. Os Livros da Selva. trad. Alexandre Barbosa de Souza, Rodrigo Lacerda. Clássicos Zahar, SP: 2016.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.07.03 17:31 claudias05 Sou babaca por querer seguir a minha vida?

Oiii turma. Espero que esteja tudo bem com vocês. Desde já lamento pelo texto enorme xD. Eu mandei para o pare de mímimi a pedir ajuda á Gabbie a minha história, mas também quero a vossa opinião.
Bem, para começar com um pouco de contexto, a minha mãe ficou grávida de mim quando tinha 18 anos e o meu pai tinha 19. Isto é muito importante!
Sempre me explicaram que eu nasci por acidente, e eu nunca levei isso a mal, pelo contrário eu brincava com a situação a dizer que sou um acidente feliz.
Como os meus pais foram pais novos, eu tenho os meus avós todos vivos e os meus bisavós também, e sempre fomos uma "família feliz e unida" (depois percebes a razão das aspas).
Até aos meus 12 anos de idade a minha família era o meu apoio, eu sempre sufri bullying na escola (o bullying durou até aos meus 16 anos)e a minha família era tudo para mim, mas aos 12 os meus pais separaram se e o meu mundo caiu.
O problema não foi a separação dos meus pais, eu desde sempre que digo "prefiro vê los bem e separados, do que juntos e mal". O problema foi que graças á separação deles eu descobri que eu vivi uma ilusão a minha vida toda.
Eu sempre fui um pouco mais madura e um pouco mais inteligente do que o normal, e os meus pais aproveitavam isso, "ah C, tens que perceber que isto e isto não pode, os pais não podem" entre outras coisas. E devido a uma parte da família me ver como a razão da vida dos meus pais terem sido arruinadas, eu, para além de gostar imenso de me esforçar por mim mesma, sempre me esforcei duas vezes mais nas coisas para os agradar e fazer por merecer um lugar na família e o amor deles.
Eles começaram me a ver como a "salvação" e a menina deles e começei a ter muita pressão em cima. Quando os meus pais se separaram, eu virei a adulta da família, os meus pais, e os meus avós (tanto os paternos como os maternos) tem todos depressão, e na altura que os meus pais se separaram o meu irmão mais novo tinha 6 anos era muito pequeno, então eu é que fui o suporte da família. Apesar disso, quando eles estavam mal eu era o apoio, quando ficavam melhor eu já era só uma cachopa que não sabia nada da vida.
Conforme o tempo foi passando eu descobri que afinal aquela "família feliz" era uma mentira, eles fingiam isso tudo a minha frente para não me afetar, quando na verdade a família era cheio de problemas, de vinganças, problemas de heranças e intrigas e entre outras coisas.
Eu e o meu irmão ficamos com a minha mãe e íamos ver o meu país aos fins de semana, e com o passar do tempo o meu pai começou a mudar o comportamento dele.
Começou a manipular me, e a tornar se abusivo (nunca me bateu, porque apesar de todos os problemas eu continava a ser a menina, e ele só fazia as chantagens emocionais e os jogos mentais).
Os problemas começaram a aumentar com o tempo, a minha mãe com a depressão dela começou a prender me ainda mais (eles sempre foram muito protetores por serem pais jovens e nunca me deixaram fazer nada), não podia fazer nada, não podia ir ter com os meus colegas, nada.
E o meu pai começou a piorar os comportamentos dele.
Em relação ao meu pai chegamos mesmo a ter a polícia envolvida, aos meus 17 anos a polícia chegou a aconcelhar,fazer mos queixa porque o que ele fazia comigo, com a minha mãe e com o meu irmão era violência doméstica emocional e psicólogica (por isso é que não digo as coisas que ele fez para não dar gatilho em ninguém que esteja a ler).
Nesse mesmo ano fui a tribunal testemunhar sem advogados nenhuns contra o meu pai. Eu fui lá dei o meu testemunho e disse "eu não quero que ele vá preso, eu quero que o ajudem e que o acompanhem, porque eu sei que ele tem depressão e ele não tem de ser preso só precisa de ajuda". Resumindo a situação do tribunal eu pus a juíza a chorar em pleno julgamento, os advogados não sabiam mais o que dizer, o meu pai graças ao meu testemunho ia ser punido e acompanhado, mas a minha mãe desistiu da queixa.
Depois disso eu deixei de ir ter com ele, já que não resolviam o assunto eu ia dar prioridade a mim mesma e a minha saúde mental (graças a tudo o que ele fez a minha média escolar desceu 6 valores e mesmo assim consegui acabar esse ano como se tivesse descido apenas 0,2 valores, mesmo com tudo a acontecer). Eu não podia deixar estas coisas afetarem o meu futuro.
Devido a esses 0,2 valores, eu perdi direito a bolsa de mérito devido as boas notas. (isto vai importar mais a frente).
Quando deixei de ir, o meu irmão ia na mesma, e o meu pai usava o meu irmão para me fazer inveja e a vida num inferno. Ele dizia me vezes e vezes em conta que não havia razões para não ir porque ele na fazia nada, e comprava o meu irmão para ele lhe dar razão.
Em casa a minha mãe dizia "estas a ver o que estás a fazer ao teu pai? Já viste o que estás a fazer aos teus avós também, quanto eles estão todos a sofrer" ela dizia isso sempre que nos falávamos do meu pai. Farta da ouvir decidi ir ter com ele para exprimentar e o meu pai começou logo com problemas outra vez e com as coisas dele, e eu tentava sempre resolver e ele fazia se de vítima e culpava me a mim.
Falei com os meus avós para o tentarmos ajudar a ultrapassar a depressão dele, e disseram que era só eu deixar de mentir que a depressão dele passava (ou seja eu era a culpada da depressão dele, quando ele sempre a teve).
Em relação ao meu pai eu apenas ignorei o assunto vou ter com ele apenas em festas de anos ou assim e pouco tempo para ele não poder manipular e para a minha mãe não me chatear (apesar de que ela diz sempre "vez tinha razão" quando é mentira porque eu quando vou para lá eu tenho de por uma máscara e agradar lhes em tudo, e sinto me horrível sempre que vou e estou la).
O problema aserio foi agora á um tempo. Eu fiz os 18 em maio, e desde o início de 2020 que a minha mãe anda me a prender mais e sempre a mandar a baixo a dizer que não estou pronta para gerir uma casa sozinha porque sou desorganizada e coisas assim (quando é mentira, eu adoro organizar as minhas coisas, eu apenas o faço de maneira diferente dela). Ela até diz a minha avó (mãe dela) coisas que eu não faço bem, imagina eu faço 5 coisas 4 bem e uma mal, e ela conta a mal a minha avó e diz "opah vez, já eu não era nada assim contigo, agora a c fogo". Até na minha cara ela faz isso.
A depressão dela tem piorado e ela está quase no mesmo ponto que ficou quando os meus pais se separaram, (ela ficou de cama 3 meses e eu com 12 anos na altura é que a levantei da cama).
Ela tem andado pior e descarrega em mim. Eu é que tenho feito as coisas em casa, e depois de 6 anos a aturar estes problemas e a resolver tudo e a compreender tudo, e de sofrer imenso mas sempre a compreender que eles tinham problemas e a depressão, eu decidi ter uma conversa com a minha mãe.
Eu deixei de lhe contar o que sentia depois dos 13 anos, porque ela deixou de me apoiar, dizia que era normal, que iria piorar com o tempo, para eu ignorar, que ela não podia porque estava cansada, que os problemas dela agora eram maiores. Mas no fim de cada coisa desta que ela dizia, ela dizia sempre "mas compreendes não é c?"
Eu decidi que tinha que ser sincera com ela, e tentei faze ló durante muito tempo, mas eu não andava bem e não iria ter capacidade de compreender o ponto dela, ou ela andava mal. Ou até ela dizia que não tinha tempo para essas coisas. Uma vez eu tentei pedir lhe ajuda por causa do bullying e ela disse "ignora que isso passa" (durou 10 anos seguidos e até hoje tenho alguns problemas devido a isso.)
Na quarentena ela começou a ficar muito sufocante (eu não saio de casa há literalmente 110 dias). E eu decidi falar com ela e dizer:
"nos sempre falávamos e tu perguntava se eu compreendia, e eu compreendia, mas isso não significa que eu não sentisse as coisas. E quando eu dizia que compreendia tu começas logo "entao pronto escusas de estar com essas trombas, fogo C". A única coisa que quero mãe e que compreendas tu agora que não é por eu perceber as vossas coisas que eu não sinto as coisas e tenho direito de não estar bem também."
A minha mãe foi se super abaixo, ela sempre se apoiou imenso em mim, eu sempre fui mais concelheira dela ou apoio do que uma relação de mãe e filha, principalmente depois da separação deles. Quando eu lhe contei isto em vez de se focar no assunto começou a falar de como a vida dela foi complicada e por isso ela não tem a cabeça bem, e que era uma mãe horrível, mas que apesar de tudo o que passou tentou o melhor. Ela voltou a fazer o que fazia sempre que eu tentava falar com ela, focou se nela e nos problemas dela.
Eu falei por exemplo da situação do tribunal e disse:
"Eu compreendo que tu não queiras sentir que eras a razão pela qual o pai foi para a prisão, mas eu e o J(o meu irmão) já te tínhamos dito que não era a culpa tua, e depois de tudo eu senti me traída por teres tirado a queixa e ainda teres começado a defende ló a dizer que eu é que o andava a magoar". Ela simplesmente disse que eu tinha de compreender que ele foi uma grande parte da vida dela e que aquilo tudo de magoava, e eu só disse "sim eu compreendo te, ele é meu pai lembras te. Só te peço que percebas que também tenho direito a sentir me mal". E ela virou a história toda para ela e a fazer se de vítima e a valorizar mais o que ela estava a sofrer por tudo.
E agora vem o grande ponto, nessa conversa ela disse "eu vou te contar algo que só eu e o teu pai sabemos, tu não foste um acidente, eu e ele decidimos ter te de propósito para fugirmos de casa".
Quando ela me disse isso caiu me tudo, e tudo começou a fazer sentido. Eu tenho falado com o meu tio (irmão dela, eu e ele somos muito parecidos e os únicos racionais e imparciais nesta família) e já falei com a psicóloga do meu irmão/minha que tem acompanhado o meu irmão e a minha mãe, e cheguei a muitas conclusões.
Eu fui só uma desculpa para fugir de casa, eles tiveram me como desculpa para sair e passado um ano não conseguiram e tiveram de voltar para a casa dos meus avós. Na minha vida toda já mudei de casa 10 vezes porque eles nunca queriam viver com os meus avós mas nunca conseguiam gerir o dinheiro.
A minha família sempre me viu como um erro, e fui culpada por tudo e mais alguma coisa. Mas cada vez que eles queriam trocar de casa eu tinha que compreender e shiu.
Eu cheguei a conclusão que eu passei a minha vida toda a viver a vida deles. Sempre compreendi as coisas deles, sempre ajudei os apoiei e nunca me deixaram fazer nada.
Um exemplo, eu faço imensas coisas e quando alguém vem a minha mãe gaba se que a filha tem boas notas, tem imensos hobbies, muitos projetos, é boa a desenhar a cantar e por aí fora. Mas quando eu quero fazer algo levo logo com um não.
Eu organizei a banda da minha escola sozinha, e estava a frente disso tudo, e estava a ter ensaios da banda para a festa de Natal e a minha mãe fez de tudo para eu não ir aos ensaios só porque não. Depois anda a mostrar a tudo e a todos os vídeos da festa,a gabar se da filha dela fazer isto e aquilo, como se fosse graças a ela quando ela é que põem as barreiras todas contra. E chega mesmo a desvalorizar as coisas a dizer que o que eu faço são apenas hobbies, por exemplo desenhar (já vendi obras minhas e ela disse para cobrar metade do preço a sério só porque é um hobbie).
Não te contei tudo porque era mesmo muita coisa, mas hoje em dia simplesmente já tou farta. Graças a tudo o que eles me fizeram, eu não me sinto em família e muito menos em casa.
Consigo simplesmente apagar qualquer pessoa da minha vida, já não olho para eles da maneira como olhava, para mim eles já não são nada.
E o problema é, eu quero viver a minha vida. Eu quero agora quando acabar os exames ir trabalhar para guardar dinheiro para ir tirar o curso de psicologia na universidade, e a minha mãe não me deixa ir trabalhar. Diz que quer ser ela a pagar e que eu vou e venho todos os fins de semana e que vou continuar a viver com ela e dependente dela. E eu não quero isso, eu quero começar a minha vida.
Eu já tive 7 trabalhos na minha vida toda, já trabalhei desde os meus 15 anos fora da família (para a minha família desde os 10) e tinha dinheiro guardado.
Agora não tenho dinheiro nenhum, porque o meu pai não pagava a pensão de alimentos, e a minha mãe usou o meu dinheiro para por comida na mesa. (Ela usou o dinheiro que eu guardava do trabalho, o das bolsas que recebi e quando era pequena usava o que recebia como prendas).
Não tenho dinheiro nenhum, ainda não tenho carta nem carro, pois o dinheiro que era para isso a minha mãe gastou me o dinheiro e eu não quero que sejam eles a pagar me a universidade. Eu prefiro entrar na universidade daqui a 3 anos e pagar eu e ter a minha independência do que continuar dependente deles economicamente.
O problema é, a minha mãe esta outra vez com um esgotamento, e o meu pai também está muito mal com a depressão dele e anda a tentar comprar me para me voltar a ter. Basicamente eles andam me a prender mais e mais a eles.
E eu sei que se eu simplesmente ignorar tudo e todos, ignorar o assunto e seguir a minha vida e viver finalmente para mim, que eu sofro no primeiro mês mas que aseguir sigo a minha vida e depois de tudo o que me fizeram ao fim de tanto tempo já não vou sofrer mais.
No fim,foi tudo uma mentira enorme e eu fui apanhada no meio sem culpa.
Mas também sei que se eu o fizer, a família vai se toda a baixo.
A minha mãe perde o apoio, o meu irmão vai piorar (ele é igual ao meu pai, mas eu tenho andado a educa ló basicamente e anda a melhorar).
O meu padrasto vai acabar por largar a minha mãe (a relação deles é basicamente dependência amorosa e eu é que tenho andado a apoiar tanto um como outro e tem resolvido as coisas) e os meus avós vão sofrer ao ver a filha deles assim. Do lado do meu pai vao sofrer outra vez de eu me afastar (eles acham que me tem na mão).
Eu ando a pensar em acabar os exames, tirar a carta e fazer alguns dos meus projetos, e depois apartir de setembro preparo o terreno cá em casa para ir trabalho. E se começarem com problemas saio de casa.
Isto tem me chateado imenso a cabeça, tem me complicado imenso porque,quero viver a minha vida mas não queria simplesmente ter que curtar tudo com eles. Queria tentar resolver tudo de forma que desse para não haver tantos problemas.
As vezes ainda penso que sou eu apenas a ser uma adolescente a fazer birra e esqueco. Finjo que o problema sou eu é muito mais fácil de resolver assim, mas a minha saúde mental é muito mais importante e não posso continuar assim.
Sei que é complicado a história,mas turma digam me, sou a babaca por querer viver a minha vida sem problemas e fazer as minhas coisas depois de tudo?
PS: desculpem o tamanho do texto 😅
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2020.07.02 21:21 porfora Me sinto um refugiado/exilado

Tenho 30 anos, eu e minha esposa nos casamos e fomos para a Itália tirar a cidadania e então o plano era ir para a Nova Zelândia. O plano foi por água abaixo porque as passagens estavam muito caras mesmo, decidimos ir para a Holanda, as coisas deram errado por lá e viemos para Londres. Em 2 semanas em Londres já tínhamos empregos e nosso apartamento alugado, as coisas acontecem rápido de verdade em Londres. O tempo foi passando e fui percebendo que como o trabalho é posto aqui não é da melhor maneira possível - explico - tem trabalho, pagam perto do mínimo (o que da para se sustentar tranquilo por aqui), mas te exploram o máximo que podem com quase nenhum direito trabalhista, até onde eu sei.... Aqui rola o clássico: negocia com o patrão, e todo mundo sabe que com patrão não se negocia nada. Comecei lavando pratos, passei a fritar batata frita e saí do emprego porque estavam me pagando errado no fim do mês por dois meses seguidos, falando que arrumariam no próximo. Meu segundo emprego foi no restaurante de um hotel 5 estrelas, meu trabalho era levar os pratos da cozinha até o garçom. Simples. E ainda assim, de alguma forma, alguem fazia com que eu me sentisse burro todos os dias, sem exceção. Meu ultimo emprego no Brasil foi dando suporte à crianças com autismo, eu estava cursando psicologia e decidi trabalhar com isso aqui para resolver pelo menos a insatisfação com o trabalho. Saí do hotel que dinheiro nunca era problema no final do mês, para receber o mínimo e tentar ser feliz. Spoiler: não fui. Todo mundo acha que aqui é primeiro mundo e absolutamente tudo é melhor do que no Brasil... Essa casa que estou trabalhando chega a me dar calafrios quando vejo como os 5 usuários são tratados. Eles estão seguros? Sim. Estão confortáveis? Sim. Alimentados? Sim. O problema está em como são tratados, muito grito, nenhuma técnica, nenhum protocolo e nenhuma vontade de ajudar eles a melhorarem suas habilidades que possa levar a uma maior independência. O pior de tudo é que as vezes que eu tentei começar alguma coisa, recebi uns olhares meio tortos, ouvi para deixar isso para lá, até que em certo momento o gerente disse que não tem nenhum "superstar" aqui. Desde então venho para cá para cumprir minhas horas que serão pagas no final do mês, virei parte da engrenagem.
Não temos amigos aqui. Temos um casal de amigos, bem diferente dos amigos que temos no Brasil. Adoramos eles, mas eles são mais chegados.em outros amigos os quais não nos damos lá muito bem, não por falta de tentar.... Não é que são más pessoas e que não podemos almoçar juntos num domingo, mas.não há conversa decente, a cabeça é muito diferente... Eu não consigo explicar, mas não é só por ser brasileiro que consigo considerar como amigo. Aqui em Londres ainda rola uma desconfiança de tudo e todos, tem muita gente pela grana....
Se fazer amizade com brasileiros não é fácil, com estrangeiros é ainda pior... Ninguém nem da abertura para ninguém.
Com a pandemia, minha esposa está trabalhando como babá para uma familia, ela ganha pouquinho porque trabalha apenas 3 horas por dia... Então o dinheiro está começando a ser uma questão de preocupação para a gente. Pagamos nossas contas e ponto.
Sendo assim, não conseguimos viajar nem sair para nos divertir.... Minha esposa não consegue pagar um curso que ela gostaria de fazer para estar melhor colocada no mercado de trabalho. Já eu, não consigo pensar em nada porque da porta da minha casa para fora, eu não gosto. Para entrar numa universidade, primeiro teria que ter dinheiro, depois melhorar meu inglês (principalmente o escrito) e depois negociar comigo mesmo morar mais 4 ou 5 anos aqui.... O que me dá palpitação.
Para ajudar, meu avô faleceu há uns 2 meses e isso mexeu comigo porque estou pensando que pela ordem natural da vida, isso acontecerá com meus pais ainda.... Não tão cedo eu espero, mas tenho que encarar que isso pode acontecer.... E quanto mais tempo fora, mais raízes para cortar aqui e poder estar com eles.
Sinto muita saudades da minha familia inteira, isso inclui minha grande família e a grande família da minha esposa.... Crescemos com encontros de família e de repente, não mais.... Vacilei achando que não sentiria tanta falta ou que me acostumaria. Sinto falta do meu cachorro, a ponto de dependendo do dia chorar de ver ele no vídeo.... Porque ele é o único que não entende o porque eu sumi e não voltei. Quanta culpa.
Do fundo do meu estômago eu quero voltar para o Brasil, minha esposa não.... Ela tem o pensamento mais lógico como sei que muita gente aqui vai ter. E como já ouvi de muitos amigos.
"O Brasil nao tá facil, fica aí" "Se aí ta ruim, imagina aqui?!"
E por ai vai.... Eu respeito e entendo, por isso que me sinto como refugiado ou exilado, eu amo tudo o que eu tenho no meu país, mas não consigo voltar porque de fato para recomeçar uma vida aí nao é o momento mais adequado.
A pergunta que me tira o sono ê "Quanto tempo esperar?"
Entendo que a decisão de sair do país foi nossa e que eu deveria ter pensado em tudo isso.... Eu pensei, só nunca tinha sentido o coração doer sentindo falta das coisas que o dinheiro não pode comprar.
Todo dia acordo pensando em quando vou conseguir voltar para o meu país e me virar. Mas esse é o tipo de conversa que não posso ter com absolutamente ninguém. Meus país me falam para voltar e qualquer outra pessoa fala que não deveríamos voltar...
Suicídio já foi considerado, porém desconsiderado devido aos custos de mandar meu corpo de volta, como minha esposa ficaria de me encontrar e depois como todos ficariam se sentindo. Ja me basta ser um estorvo em vida, não quero causar problemas depois de morto.
Desculpem se alguma coisa parecer confusa, sigo para esclarecimentos. Desabafei? Sim, mas nao.me sinto nem 1g mais leve
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2020.06.28 23:08 Alfre-douh Consulta

Após fazer uma rápida revisão dos apontamentos da sessão passada, olho enfim para o Luís. É um olhar treinado. Um olhar associado a uma postura que vive nos pequenos pormenores: nos livros académicos na prateleira, na cortesia omnipresente provocada pela máquina do café, na ergonomia da poltrona que lhe indico, no meu sorriso e olhar que treino para serem afáveis. A ideia é precisamente criar um conforto contundente e desarmar a insegurança.
Tudo isto é pensado. O brio com os detalhes é a matéria-prima para eu conseguir fazer aquilo que me sinto bem a fazer. Estou-me a lixar para defender uma ideia de profissão. O que me move é a capacidade de ter influência positiva na vida de alguém. A minha abordagem parte por alicerçar a tal relação de confiança: ouvir, reforçar pormenores que pareçam importantes, ouvir, colocar uma questão retórica, e ouvir. Na maior parte das vezes, não necessito de trazer à baila aquilo que estudei...Àqueles que se querem enquadrar nalguma teoria, dou parte das correntes psicológicas em que me baseio e insisto que o mais importante não é ser-se algo hermético, mas ser-se honesto com a individualidade preciosa que se é.
"...tenho criado este hábito de olhar para as minhas mãos. Não em vaidade, não. Não é com aquela forma de olhar de perspetiva estética...Normalmente, quando alguém faz isso os dedos estão hirtos e há tensão na palma da mão. O meu olhar carrega uma outra perspetiva, um outro significado... Acho que de certa forma, talvez mais clássica (digo clássica em alusão às estátuas romanas ou gregas em que as mãos nunca estão fletidas), quero ver nelas o efeito do meu esforço. Quero ver um pouco dessa relação de causa e efeito.
Quando olho não estou a analisa-las. É uma espécie de quiromancia. Analiso nos traços delas a erosão da alma em consequência do que passei e passo."
O Luís chegou até mim dizendo-se deprimido. Filho mais novo de um casal com dinâmicas mal articuladas e com laivos de toxicidade, e irmão de uma workaholic. Leitor ávido, sem grande interesse por música. Amizades dos tempos da escola secundária e um ou outro colega do curso de Engenharia Informática. Nas palavras do próprio "um despojo amoroso" de uma rara relação, altamente idealizada, que não correu bem.
Tem uma forma de falar que permite denotar inteligência e idealização de relações. Algo extremamente quando comum atentando ao padrão disfuncional que teve como exemplo.
"Em que tipo de situações, e com que frequência, isso que descreve acaba por acontecer?" devolvo-lhe.
"Acontece sobretudo quando me abstraio do que estou a fazer. A Inês costumava dizer-me que eu tinha uma forma tola de lhe tocar. Ela achava a minha postura das mãos divertida..." diz ele enquanto observo o que parece um toque nervoso, esfrega a unha do polegar na extremidade do dedo indicador.
"Isso provocava-lhe desconforto?" digo depois duns breves segundos, em que quero provocar-lhe sobre a reflexão que fez.
"Sim... Embora não me considere muito expansivo. Sinto que de engraçado passei a algo desagradável e incómodo. É difícil explicar..."
Sinto-me entediada. Levo o trabalho muito a sério e por isso sei bem que o mais importante é saber esquecer que o tenho. O Luís sente-se único, mas é gentil em relação à dor que sente: não quer que eu a sinta. Sente-se vulnerável e fraco por não a conseguir gerir. Este tipo de comportamento é, em si tão comum, que é o belo do pão com manteiga da psicologia. É a dor de alguém bom, que vai ficar bem. Só e apenas isso...
O que devo fazer com este recorrente tédio?
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2020.03.24 05:59 hebreubolado Crítica de "Mogli - O Menino Lobo" (2016) do John Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.03.02 22:19 roddlove Diagnostico de autismo depois de adulto, minha historia...

Desde minha infância me sentia diferente, só interagia bem com irmãos e pais, o contato com colegas de colégio era bem superficial, parecia que não me enquadrava naquele grupo, tudo piorou quando meus pais se separaram (meu pai era meu único amigo e confidente) quando eu tinha 8 anos acabei perdendo contato com meu pai depois que saiu de casa (separação), ligava religiosamente todo domingo isso durante 1 ano, depois se distanciou, aos 11 anos fiquei 1 semana na casa dele em outra cidade (ferias), parecia não ser mais meu velho, envelheceu muito e como fazia anos que não o via, foi muito superficial nosso contato, fiquei muito acanhado nos dias que passei com ele, um mês depois ao nosso reencontro ele sumiu, algum tempo depois alguns primos dele disseram que o viram caminhado como andarilho em uma rodovia, desnorteado, os covardes não estenderam a mão para o ajuda-lo.
Cresci com um sentimento de abandono, tanto por parte dele como de minha mãe que me tratava com indiferença, como ovelha negra entre meus irmãos, o tempo passou ia pra escola já pensando no fim das aulas, me sentia um ET, sempre na minha, só falava com uns 3 colegas (excluídos como eu) na hora do recreio. Quando tinha trabalho em dupla ou de grupo eu era sempre o ultimo a me juntar, me sentia um lixo, minha caligrafia era péssima, precisei de reforço pra não ser reprovado em algumas disciplinas. Em dias de educação física era trágico, não me enturmava e meu despenho com esportes era péssimo, sofria de enurese noturna até os 14 anos (era péssimo, sem comentários).
Aos 13 anos decidi morar com minha vó pela proximidade com o colégio, pois minha mãe cortou a ajuda com vale transporte, via meus irmãos e mãe aos fins de semana.
O tempo passou entrei no ensino médio, no ultimo ano do Médio, fui o único a não confraternizar (como sempre) passei em um curso de manutenção industrial no Senai do qual nunca me identifiquei, fiz por fazer, o serviço era braçal e entediante e pra mim desistir seria uma derrota, na época fazia o médio a manhã toda, Senai de tarde e de noite exausto mergulhava no estudo com uns livros velhos para o vestibular, nessa época conheci uma garota que morava perto de casa, toda noite ia conversar com ela em frente a sua casa (ela mais falava) acabei me apaixonando por ela, mas minha timidez não deixava eu declarar (doeu muito isso), naquele ano prometi pra mim mesmo que se não passasse iria acabar com meu sofrimento existencial, não passei, minha mãe ficou ainda mais indiferente comigo, discussões todos os dias, então decidir a fazer uma carta de despedida.
Comprei 3 frascos de veneno escondi em meu quarto. Em uma noite li a bíblia e pedi perdão pra Deus, criei coragem e tomei, dói meu estomago só de lembrar, dores indescritíveis, falta de ar, agonizei e derrubei um ventilador, minha mãe no quarto ao lado lado ouviu, e me viu naquela situação, foi um desespero aquela madrugada, único sentido que funcionava era a audição ouvi todo o desespero de parentes, ate um momento que apaguei quando acordei via tudo embaçado, perguntava se estava no céu... que se tivesse queria sair dali pois sentia muita dor, fui parar no UTI fiquei 1 semana internado, me sentia um lixo naquele lugar, um ser incapaz de acabar com a própria vida, por alguns momentos me via conversando com pessoas distantes, mas eram alucinações, abalou muito minha cabeça o efeito do veneno, sai daquele hospital pele e osso, pesando 48kg, tenho 1,71m.
Quando cheguei em casa, minha família era outra, minha mãe da agua pro vinho comigo, meus irmão ficaram afetuosos, iniciei um tratamento no Caps, com psicólogo e psiquiatra, não me adaptei ao lugar (só tinha dementes graves), duas semanas depois minha mãe me convenceu a voltar estudar pra ocupar minha mente e terminar o curso no justificando minha ausência por virose, aceitei, foi péssimo, meus colegas olhavam diferente, e meu instrutor me chamou pra conversar e perguntou por que eu fiz tal ato, me fingir de desentendido, deu vontade de sumir daquele lugar, e sair do curso depois da conversa.
Aos 19 anos dei meu primeiro beijo, aos 20 conheci uma moça pelo Orkut e fiquei, me apaixonei (nunca me sentir amado e querido por alguém), entre idas e vindas namoramos por 2 anos.
O tempo passou arrumei meu primeiro emprego aos 21 anos, fiquei por 1 mês, não conseguia me manter em nenhum emprego, sentia uma fobia social muito alta, em um ano fiquei em quatro lugares diferentes e com funções diferentes e pedia demissão antes de completar 2 meses, no mesmo ano terminei meu relacionamento, na verdade ela terminou. Entrei mais uma vez em depressão profunda, mas dessa vez comuniquei minha mãe sobre meus pensamentos suicidas, novamente fui em uma psicologa e psiquiatra no Caps, tomei alguns medicamentos por um período, e descobrir que este mal não tem cura.
Depois de um tempo voltei a trabalhar dessa vez por um ano, desafiando a tudo e a todos, me superei. Fiquei 10 meses desempregado e me empreguei em uma industria em uma cidade distante, fiquei 3 anos, varias vezes pensei em desistir como no tempo do colégio ia me arrastando ao trabalho, eu era visto como um esquisito e antissocial naquele lugar (como sempre), neste tempo conheci uma pessoa, fiquei com ela 4 anos, foi um relacionamento bem conturbado, ela tinha bastante problemas adquiridos na infância também, no mesmo período contrair uma hérnia de disco na coluna, o caso foi cirúrgico, onde não melhorei, e ate o momento estou afastado hoje com 31 anos, separado, morando sozinho com uma gatinha que adotei há 1 ano (minha unica companhia).
Recentemente recebi a noticia que encontraram meu velho em um cidade distante, mas infelizmente em um necrotério, há 8 meses na gaveta, não o enterraram por não ter um familiar pra liberar o corpo, eu e meus irmão fomos até lá para dá o adeus que não demos em vida infelizmente, que Deus o tenha. Descobrimos que ele vivia uma vida miserável e sofrida, estava doente. (Quando se casou com minha mãe era um empresário, mas não soube administrar seus negócios)
Fiz algumas seções de fisioterapia com um osteopata, e ele me fez perguntas relacionado a minha infância, e confessei pra ele alguns traumas, ele disse que pra minha idade não é normal sentir as dores que sinto que meu problema ortopédico teve o desencadeamento emocional, além das seções de fisioterapia me pediu pra fazer orações do Hoponopono, me sentia aliviado quando fazia.
Após novamente sentir uma crise profunda de existência procurei ajuda psicologia dessa vez particular, descobrir que tenho autismo, e agora percebo tudo faz sentido, todos os meus sintomas desde a infância é compatível com este diagnostico, estou vivendo um dia de cada vez, tentando manter a calma e a serenidade, mas por dentro estou destruído, sem perceptiva de um futuro, acho que o que me mantem vivo é o amor e pena que sinto pela minha família, me coloco no lugar deles, caso eu acabe com isso prematuramente. Não sei até onde vai minhas forças, me sinto incapaz de socializar naturalmente com as pessoas, minha vida se resume em ficar em casa praticamente o dia inteiro, lendo, ouvindo música, procurando vídeos de desenvolvimento pessoal, (só saio pra ir no mercado, fisioterapia e psicólogo) não estou pior, pois ainda recebo benefício pelo problema que adquirir na coluna (dá pra sobreviver), mas não sei até quando, queria tanto ser independente, empreender e não depender de ninguém, mas infelizmente, sou muito limitado, e quando a desesperança vem, sempre me vejo apertando o gatilho na minha cabeça, queria tanto ter uma arma e acabar com essa loucura de vida sem propósito, não sei até quando irei suportar...acho que cheguei no limite...
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2020.02.08 04:10 TsukiTetsuro Eu afasto todos e não consigo parar

Um dos meus maiores problemas é socializar, conseguir conversar com as outras pessoas. Meus professores, meus chefes, meus amigos, todos com quem tive contato elogiaram algo em mim, seja por ser alguém gente boa ou um bom profissional. Mas a maior parte do tempo eu me pergunto se isso não é só uma máscara que eu uso. Que eu estou cansado de usar.
Desde pequeno sempre tive muita dificuldade em ficar sozinho muito tempo. Eu sempre procurava um amigo na vizinhança pra brincar, pra conversar. Eu era uma criança diferente das outras, fazia as coisas de uma forma diferente, me vestia "estranho" (como os outros definem), não gostava das coisas que os rótulos diziam que eu deveria. Desde a primeira série do fundamental sofri bullying e, pelo que eu conheço (posso estar errado) sobre o assunto, ainda estava na fase de desenvolvimento, estava começando a ter consciência do mundo, das coisas que eu fazia e formando minha personalidade, tendo contato com as outras pessoas e formando meu eu. Pra uma criança não é muito confortável ouvir todo dia uma zoeira, um xingamento, um "você é idiota", "você é feio", "por que você não vira alguém normal?", "você não pode fazer isso, homens não fazem isso".
A insistência era tanta que eu comecei a me considerar o errado, afinal, todos diziam que eu estava fazendo as coisas errado, me criticavam por tudo que eu fazia. Eu, querendo me enturmar, pertencer a um grupo, ser enxergado e poder ser só uma criança feliz, seguia o que os outros falavam, ia contra meu eu só pra conseguir falsas amizades, amigos pra suprir a necessidade de carinho e amor.
Minha família sempre foi muito amorosa e prestativa, sempre me ajudavam quando eu precisava, mas eu não me sentia bem pra desabafar o que eu estava passando, o bullying que os outros faziam. E isso foi me atingindo mais e mais, me botando pra baixo e me fazendo ficar longe dos outros, afinal, eu não sentiria dor se não tivesse quem causar dor. Foi mais ou menos na terceira pra quarta série que eu entrei em depressão. Não conversava com mais ninguém na escola, vivia de cabeça baixa pra evitar o olhar dos outros, vivia devorando os livros da escola (meus únicos amigos por um longo tempo), falava o mínimo possível com professores e minha família. Chegando em casa eu dava um sorriso falso e dizia que tive um ótimo dia, ia pro quarto e passava a tarde chorando, me perguntando a razão de tudo estar acontecendo. A partir da sétima série comecei a querer morrer, todo dia dormia querendo não acordar no dia seguinte pra parar de sentir toda aquela dor, sempre me isolando e evitando contato social.
No último ano do ensino fundamental conheci uma garota chamada Larissa e me tornei amigo dela, conversávamos praticamente todo dia. Eu achei que finalmente as coisas iam ficar melhores, mas isso só durava o tempo que eu estava conversando, que estava distraído da dor. Minha vida começou a ser uma eterna espera pelas horas em que eu ficava na escola conversando com minha única amiga, entorpecendo minha dor. Eu aprendi a afastar um pouco a dor, mas ela sempre voltava, eu nunca acabava totalmente com ela, só conseguia ficar algumas horas com um sentimento de melhora.
No ensino médio entrei pra uma escola de período integral e comecei a fazer amizades com pessoas que pareciam realmente se importar e não ficavam fazendo bullying comigo. Estava aos poucos perdendo o contato com Larissa e todo dia eu deitava minha cabeça na carteira e chorava durante metade de uma aula. Meus colegas de classe já estavam "acostumados" com minha rotina e tentavam em vão me ajudar durante os intervalos. Naquele colégio havia uma coordenadora que já tinha exercido psicologia e algumas conversas com ela me ajudaram um pouco. Ela me aconselhou a procurar ajuda médica. Assim eu fiz. Consultei-me algumas sessões com uma psicóloga e depois de um tempo ela levantou a possibilidade de eu sofrer de transtorno de personalidade borderline e disse que precisava fazer alguns testes para averiguar se realmente era esse ou outro transtorno. Eu me cansei de ir as sessões (na época eu ficava cansado muito rápido de pessoas, hobbies, objetos, lugares) e larguei o psicólogo. Eu passava algumas semanas bem, outras eu passava chorando. Comecei a me cortar pra me sentir melhor. Não vou mentir, eu sentia que ajudava, sentia que aquilo estava tirando a minha dor. Externar a dor emocional em minha pele estava me fazendo bem, ou era o que eu pensava.
Eu tive vários colegas e alguns amigos ao longo da vida, praticamente todos se foram depois de um tempo, se mudaram, deixaram de ser meus amigos ou simplesmente sumiram sem avisar. Isso, junto com o medo de sofrer bullying, me fez sentir medo de conversar com as outras pessoas, de fazer novas amizades, de manter as antigas.
Hoje em dia eu lido mais ou menos bem com meus estados. Fiz mais 3 sessões com outra psicóloga e depois larguei, mudei de cidade com meus pais, trabalhei um tempo, mudei de novo e agora estou morando em casa compartilhada.
Eu tenho uma dificuldade enorme de conversar com as pessoas, fazer e manter amizades. Fora que de vez em quando a mesma dor volta, aquela insuportável que chega a pontar o pensamento de suicídio. Eu não quero mais me matar e prometi ao meu melhor amigo que não me cortaria mais (o que não faço há três anos), mas sofro imensamente em ter que suportar essa dor sem ter uma solução, sabendo que só vai piorar. Minhas crises sempre passam, por mais longas que sejam. O maior problema é o constante sentimento que eu estou sozinho. Tenho amigos que realmente se importam comigo, mas é EXTREMAMENTE difícil pra mim conversar com eles, eu sinto medo de atrapalhar, tenho medo de deixa-los irritados ou de ser um estorvo, mesmo se me chamarem para fazer algo. E parece ser mais que só isso, sinto como se algo dentro de mim gritasse: "Não faz isso, não vai lá, você sabe que não vai dar certo, só vai doer mais". Estou afastando meus amigos, família, pessoas que se importam comigo e realmente querem ajudar, mas não consigo conversar sem me encolher, sem sentir medo de ficar mais que alguns minutos perto, de conversar. Isso me atrapalha inclusive no trabalho e realmente não me sinto confortável com esses sentimentos.
Não sei mais o que fazer, sempre que penso em ir ao psicólogo algo me para, não consigo ligar, não consigo marcar uma sessão, não consigo viver minha vida sem estragar algo, sem me machucar ou machucar as pessoas ao meu redor.
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2019.10.11 19:10 DivinaNunato O melhor rival do mundo é você mesmo

Para progredir na vida, você não precisa se comparar a ninguém: é mais produtivo e gratificante olhar para trás e estabelecer metas de curto prazo.
Desde a escola, eles nos ensinam a competir contra outras pessoas, e não apenas no esporte. Os alunos mais brilhantes despertam admiração e ao mesmo tempo a raiva daqueles que não obtêm boas notas. Quando entramos na adolescência, os sucessos de outras pessoas no amor e no sexo podem se tornar o espelho do nosso próprio fracasso. Um garoto ou uma gangue faz uma conquista após a outra, enquanto quem não "come um donut" pergunta: por que ele / ela come e eu não? O mesmo acontece, após a conclusão dos estudos, na carreira profissional e no status econômico que ela nos fornece. Tendemos a olhar para quem foi além de nós, e isso nos faz sentir diminuídos, como se tudo o que alcançássemos perdesse seu valor.
Quem se compara já está perdendo, porque coloca o foco da atenção no campo estrangeiro, em vez de trabalhar em seu próprio progresso. Nesse sentido, os grandes gênios da humanidade mergulharam na corrida de um único corredor, pois sua fixação era superar sua própria marca em um processo de constante auto-aperfeiçoamento. Como Lao-Tse disse há dois milênios e meio atrás, "quem obtém uma vitória sobre outro homem é forte, mas quem obtém uma vitória sobre si mesmo é poderoso". Encontramos a mesma idéia em um livro que está varrendo as paradas de vendas nos EUA: 12 regras de vida: um antídoto para o caos . Seu autor, Jordan B. Peterson, professor de psicologia da Universidade de Toronto, propõe em sua quarta regra: compare quem você era ontem, e não quem é hoje.
Igualar qualquer outra pessoa é seguro de frustração, já que raramente nos comparamos com os que estão abaixo. Observamos quem alcançou mais e, em vez de nos estimular, muitas vezes nos causa inveja ou até paralisia vital. Por que lutar se sempre haverá outros que receberão mais prêmios? Contra essa armadilha, Peterson propõe focar a competição em si mesmo: “Você não sente mais inveja de ninguém porque não pensa que os outros são verdadeiramente melhores que você. Você para de se sentir frustrado porque aprendeu a mirar baixo e a ser paciente. Você está descobrindo quem você é, o que deseja e o que deseja ser. ” A primeira parte dessa reflexão aponta para a ilusão comum de que conhecemos o nível de felicidade dos outros. Acostumados às redes sociais, onde apenas as conquistas são mostradas, podemos pensar que a vida do outro é melhor e mais feliz que a nossa, mas o que realmente sabemos da felicidade de alguém? Talvez o vizinho que tem um Porsche em sua garagem esteja pendente de embargo porque não pagou seus impostos, e que anda com um casal deslumbrante mora muito dentro porque é morto para discutir.
Com o "objetivo baixo", Peterson não se refere a ser ambicioso, mas a estabelecer objetivos de curto prazo, um após o outro, para motivar e medir o progresso. Nesta competição de um corredor, se hoje você é um pouco melhor que ontem, você já venceu a corrida. Nesta quarta regra de vida, o autor conclui: “Você está descobrindo que as soluções para seus problemas específicos devem ser adaptadas a você, pessoalmente e com precisão. Você não se preocupa mais com as ações de outras pessoas porque tem o suficiente para fazer a si mesmo. ”
Voltando ao início, ver o que os outros fazem busca benefícios inconscientes para quem tem medo ou preguiça de arriscar. Enquanto você está ciente do que o outro está fazendo, não se exige. Como no poema Esperando os bárbaros , de Kavafis, colocar nossa atenção do lado de fora é a desculpa perfeita para cruzar os braços. E isso não acontece apenas quando sentimos menos que alguém. Também criticando o outro, estamos evitando nossas responsabilidades. A regra exata de seis do mesmo livro de Peterson é: mantenha sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo.
Se, em vez de nos compararmos ou tentarmos consertar outras vidas, focalizarmos quem somos e podemos nos tornar, será difícil não alcançar o sucesso. Estar ciente do lugar em que estamos, dos erros que cometemos ontem e da direção que queremos dar às nossas vidas, qualquer passo adiante será um progresso. E isso não apenas melhorará nossa existência. Por estarmos mais satisfeitos, também seremos uma empresa mais agradável para os outros.
Fonte, Original em espanhol
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.08.09 20:49 i8iagencia 7 Motivos Para Não Fazer Um Logotipo Em Sites Grátis

7 Motivos Para Não Fazer Um Logotipo Em Sites Grátis
Saiba agora mesmo de 7 motivos para não fazer um logotipo em sites grátis. Além de não serem feitos trabalhos originais, muitas vezes, a ideia do cliente também não é levada em consideração.
Afinal, quando um empreendedor está abrindo a sua empresa, logo é optado por criar um logotipo em sites gratuitos. O motivo é que, ter um bom capital e o menor custo das despesas sempre ajuda os iniciantes.
Contudo, será que o barato realmente é a melhor opção? Algo que sempre deve ser levado em consideração é: o logotipo criado é de qualidade? Possui as sugestões do cliente? As cores do logotipo chamam a atenção para o seu produto?
Contudo, outro ponto importantíssimo que você precisa levar em consideração é: o seu logotipo criado em sites grátis, é original? Como você pode comprovar que não é um logotipo copiado de uma outra empresa? Antes de mais nada você precisa lembrar que plágio é crime.
Portanto, para que você compreenda melhor as razoes de procurar uma empresa especialista em logotipos, como a i8i Design, nós apresentaremos hoje, 7 motivos para não fazer um logotipo em sites grátis.

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Os 7 motivos para não fazer logotipos em sites grátis

1. O barato sai caro ao fazer logotipos em sites grátis

Como havíamos mencionando anteriormente, muitas vezes o barato pode sair caro. Isso porque quando você procura um site grátis para criar logotipos, quem pode te garantir que ele é único e exclusivo seu?
Afinal, se tiver ocorrido (como ocorre com frequência) de esse logotipo ter sido uma criação de uma outra empresa, você e a sua empresa podem passar pelo desprazer de um processo judicial.
Portanto, o que parecia ser “um achado”, criar logotipo em sites grátis, pode sair muito mais caro do que se tivesse solicitado os serviços de uma empresa especialista no assunto.

2. Sua empresa não será eterna

Como você já deve ter visto nos nossos outros artigos, um logotipo é a identidade da sua empresa e é o que a deixa eterna na memória dos clientes.
Portanto, ao “não” criar um logotipo, e apenas pegar emprestado de um site gratuito, você permite que a sua empresa caia no esquecimento em pouco tempo.

3. Sua empresa não terá credibilidade

Suponhamos a seguinte situação: sua empresa possui um logo com cores diferentes, apenas, de um logo já conhecido pelo público. Quem está copiando quem?
Dessa forma, a primeira coisa que irão pensar é: “se já existe um logo como essa, como é que eu posso acreditar que os produtos dessa empresa são originais?”.

4. Lembre-se que nada é REALMENTE gratuito

Você precisa se lembrar que quando falam que é de graça, sempre tem as letrinhas miúdas que nunca são lidas. Portanto, se você entra no papo de que o logotipo será totalmente gratuito, lembre-se que você precisa recebe-lo de alguma forma.
E esse recebimento nunca é de graça. E é por isso que, sempre chega a mensagem para você pagar uma determinada quantia para fazer o download do logo em alta definição para sair impressões mais nítidas.

5. O seu objetivo é vender o seu produto

Levando em consideração que você quer vender mais o seu produto, é importante ressaltar que você não é um designer gráfico profissional, certo?
Dessa forma, quando falamos que nada é de graça, tem tudo a ver com o seu precioso tempo também. Afinal, você vai passar horas procurando uma logo de que goste e, depois, vai gastar mais um bocado de tempo para escolher uma cor bacana.
Portanto, a menos que você seja um designer gráfico profissional e entenda tudo da psicologia das cores nos logotipos, você vai perder tempo e dinheiro, duas coisas muito preciosas.

6. Logotipos mal criados

Outra coisa que você vai perceber nesses sites gratuitos é que os desenhos da logo são muito mal feitos. Portanto, vale a pena expor sua empresa com um logotipo desses? Afinal, é essa a identidade que você vai adquirir para o seu produto ou serviço.

7. Cores e logotipos errados

Dentre os 7 motivos para não fazer um logotipo em sites grátis, destacamos a ausência de criatividade e originalidade na identidade visual da sua empresa. Afinal, você precisa procurar pelos logos disponíveis ali na página com uma paleta de cores pré-selecionadas.
Ou seja, você não tem a possibilidade de solicitar algo do seu gosto e nem o desempenho de um profissional para ajudar na psicologia das cores. Portanto, sua empresa necessita desse desmerecimento?
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2019.07.21 16:42 felipekirby94 reflexão sobre o ensino..

Sempre ouvi ao longo da minha vida, principalmente dito pelos mais velhos, que a educação é a base para um país melhor e que sem educação entrariam muitos políticos corruptos na política eleitos pelo povo. Isso de fato esta certo e foi bem observado pelos mais velhos que isso realmente acontece, porém, não é de todo ruim. O que é realmente ruim é uma educação boa, pois colocaria políticos bons no poder, ou seja, gente que sabe como governar. Ter políticos lixos no poder é uma sorte imensa e isso só é possível graças a um sistema educacional fracassado. O motivo de eu me posicionar assim é porque vejo a profissão política ou servidor público como ontologicamente criminosa, já que esta sustentada por pagamentos involuntários, chamados de impostos. A corrupção que ocorre dentro do maquinário público é o que sobrou de humanidade nas pessoas que foram corruptas por essa profissão que produz feedbacks falsos (já que não lidam com lucratividade). Desviar um dinheiro que teria fins públicos (hospital, escola, segurança…) para qualquer outro setor da economia é extremamente bom e caso esteja achando que estou defendendo alguns políticos, já adianto; sua profissão em si é criminosa. Não interessa o que eles fazem lá dentro; se vão lutar por igualdade (o que é uma bosta), se vão adotar políticas de inclusão (o que é outra bosta), se vão diminuir os impostos (o que é uma medida populista, já que podem inflacionar a moeda a qualquer momento e assim diminuindo o poder de consumo dos contribuintes), não importa, pois qualquer atitude política é uma atitude errada. E onde entra a escola nisso tudo? Bem, ela é como um banco central de capital psicossocial para os governos. Se o banco central é o único que pode imprimir dinheiro e injetá-lo na economia, a escola também visa monopolizar esse setor fazendo o mesmo, porém, com outra moeda. Esse capital psicossocial ao qual me refiro diz respeito a aceitação popular diante de algo que o possui em uma grande quantidade. Por exemplo: na idade média a igreja possuía uma riqueza de capital psicossocial ao qual lhe representava um poder muito grande sobre a psicologia das pessoas da época, e logo, sobre os reinos também. Hoje quem detêm maior parte desse capital são os governos, oligopolizado o capital entre si (entre os governos do mundo todo) e é através das escolas que estão se enriquecendo. Um exemplo onde isso que estou dizendo pode se confirmar é que onde a educação é boa, governos são pouco desaprovados pela opinião popular ou recebem poucas críticas, enquanto que onde ela é ruim, há duras críticas ao governo vigente. E isso pode ser interpretado como ”um esta exigindo melhor educação, enquanto o outro não exige porque não esta precisando aperfeiçoá-la”, mas a lógica não poderia ser esse pensamento. Se isso fosse verdade, os países que tem melhor educação também formariam pessoas mais críticas e logo, haveria maior desaprovação sobre as atitudes políticas por parte da população. Também não haveria tantas críticas ao governo naqueles países em que a educação fosse pior, já que não haveria tanta criticidade por parte dos que usufruíram dessa educação precária (e isso tudo levando em consideração uma mesma faixa etária, ou seja, os jovens criticos de um país desenvolvido e os jovens não criticos de um país cuja educação seja precária). Em resumo, escola é lixo. Nenhuma escola irá ensinar sobre ideias separatistas ou visará desenvolver real criticidade no aluno. Seu real objetivo é expor um monte de conteúdo metologicamente sem sentido na cabeça da criança para disputar atenção com seu tempo livre. As matérias serão todas justificadas com argumentos utilitaristas (alguns até validos) e futurologistas, mas serão ensinadas e cobradas através de uma metologia robótica e desumana. Basta imaginar o que seria necessário para se tirar nota máxima no ENEM. Creio não ser possível alguém que tire essa nota máxima, ser também um anarquista que desaprova a existência da política na vida das pessoas. Por outro lado, não é difícil imaginar um caipira do interior questionando sobre o por que do governo interferir tanto na sua vida (exemplos: ”por que não posso dirigir sem cinto de segurança? por que é ilegal eu ensinar meu filho a dirigir? por que tenho que matricular meu filho na escola?). E algo me diz que se você acha estúpidos os questionamentos do caipira, provavelmente você é escolarizado. Se pensas que basta tirar a obrigatoriedade de por os filhos na escola para acabar com um país, enganasse profundamente. O voto por exemplo, não é tão obrigatório em primeira instancia, já que sua multa é baratíssima. No entanto, os benefícios que se perde ao não votar são imensos e extremamente danosos no cotidiano, o que o torna super obrigatório. É como estar refém do sistema o tempo todo e só perceber isso quando testas sua liberdade. E se o Brasil já é assim com péssimos governantes, imagina com bons governantes, os quais proporcionariam uma educação tão boa que nem mesmo críticas a sua ontologia seriam possíveis.
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2019.03.25 16:41 Puuts Sobre psicologia e terapia

Ando percebendo que boa parte dos posts daqui são de alguma forma relacionados a algum tipo de transtorno ou disturbio mental. Muitos postam desabafos relacionados a ansiedade ou ansiedade social, depressão, pensamentos suicidas ou agressivos contra si mesmo.
Há muito tempo ando estudando psicologia por conta própria, como Hobbie mesmo, gosto bastante do assunto. Também sofro com ansiedade e sei o que ela provoca em você e sua vida. O único jeito que eu encontrei de melhorar um pouco foi com auto ajuda, com terapia própria, exposição controlada, diários, auto análise do meu comportamento e propostas para tentar me ajudar
Tem surtido um efeito razoávelmente bom.
Enfim, gostaria de propoperguntar, o que vocês acham de criarmos um sub dedicado a uma contribuição da comunidade para com transtornos mentais? postariamos conteúdo relacionado a esses transtornos, relatórios, dicas de como melhorar, etc.
Caso já exista algum me perdoem, não sabia. Sei que existe o psicologia, mas a ideia é diferente.
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2019.01.23 19:12 lucius1309 NIRVANA OU ESTADO DE PAZ TOTAL

Minha psicóloga é uma boa pessoa. Ela recebe pra isso, mas acho que mesmo recebendo, eu não iria querer me ouvir por uma hora sem parar. Um sujeito completamente cheio de si, que se acha sempre o dono da razão, que fica falando de boca cheia de tempos em que ganhava muito dinheiro, enchia o cu de whisky e comia só mulherão, e hoje amarga a derrota pra garrafa e mal transa. Com relação ao dinheiro, tudo caminhando. Mas nada tão fenomenal quanto antes.
Nem eu entendo como eu consegui passar todos esses anos fazendo o que fiz e não ter morrido de overdose ou acidente de carro ou esfaqueado por uma das mulheres loucas que fiquei.
Eram lindas, porém loucas.
Grave defeito de muitas pessoas na sociedade atual, não é mesmo?
Acho que todos precisamos nos tratar. Aliás, minha psicóloga me disse que ELA faz terapia também, ela é obrigada a fazer. Ou seja, ela também é fodida. Talvez não tão quanto eu, mas é.
Ela me perguntou até quando eu vou escrever pra fugir das coisas, porque na real minhas fugas hoje estão canalizadas em escrita e muitos e muitos discos. Eu disse que não sei, vai depender dela, do trabalho que ela fizer comigo. E claro, de mim também.
Vai chegar o dia em que não vou precisar escrever. Eu vou estar num estado de libertação talvez único, o Nirvana, o pleno esclarecimento das coisas, batendo ali nas portas da razão e da plena convicção do mundo. Nada mais será necessário para que eu tenha paz de espírito, isso partirá de mim, somente de mim. Não vou usar pessoas, discos e nem textos como muletas. A minha distância da garrafa será grande o bastante para ser eterna, e eu finalmente não terei mágoas e nem rancores da minha vida. Tudo estará REALMENTE no seu devido lugar. E nesse dia o Sol vai nascer com um brilho diferente, ele vai parecer maior e mais próximo de mim, como se eu fosse uma referência para todos que estão na Terra e ao meu redor. Emissoras de rádio e de TV iriam me procurar para dar entrevistas, os flashs das fotos seriam tão fortes quanto meus devaneios que relato nesse texto.
"Mas senhor Carlos, o senhor sempre foi uma pessoa comum, como que aconteceu isso?"
"Planos para mudar as outras pessoas também?"
"Qual é o seu segredo, como atingiu tal ápice do ponto de equilíbrio?"
Eu evitaria num primeiro momento, mas depois acabaria por me render. Iria começar a rodar o mundo dando palestras e dizendo sobre como sai de uma sarjeta em que eu bebia 24h por dia para o total esclarecimento sobre o ser humano. As pessoas iriam me procurar para dar dicas e orientações, meus textos seria publicados em mais de 150 países, e em mais de 100 idiomas. Minhas palavras entrariam na mente de quase todo o Globo. Iria ter a oferta de milhões de mulheres do mundo querendo dar pra mim, ou casar comigo, mas eu recusaria a todas, pois a minha missão seria mais importante do que qualquer pessoa ou relacionamento. Eu não teria tempo pra mais nada, além de mudar o mundo.
Entraria em becos e favelas para dar uma palavra de conforto para aqueles que sofrem nas garras da adicção e que muitas vezes não enxergam saída. E isso de fato, me confortaria. Entraria em contradição de compreender que eu havia trocado de fuga. Ao invés dos textos, pessoas reais. Ao invés das músicas, partilhar o estado de Nirvana com todos os outros. Minha vida então pareceria perder o sentido por completo, e algo que vinha me completando iria parecer completamente vazio, e eu voltaria então para o completo anonimato, me refugiaria numa gruta em algum lugar no cu do Tibet e não sairia de lá por mais nada. Passaria meus últimos dias comendo frutas e caçando pequenos animais para me alimentar, barbudo e completamente nu. E então eu seria história, nada mais do que isso.
Meus textos seriam esquecidos para sempre, diriam que eu enlouqueci e que meti um sumiço pior do que o do Belchior.
E talvez, essa gruta me desse a luz que eu havia procurado a vida toda. Pois quando eu me vi completamente sozinho há dois anos atrás, eu tive um momento de lucidez e decidi largar a garrafa. E esse foi o momento mais lúcido da minha vida, e talvez, repetir tal momento somente encontrando semelhante condição: solidão e desespero.
Minha psicóloga ganha 80 pratas pra me ouvir por hora, eu acho um preço bom. Não sei o que o conselho de psicologia regulamenta, mas eu acredito que ela faça um trabalho excelente, se eu pudesse, pagava 200 reais a hora. É claro que eu atualmente posso, porém eu respeito o desejo e o preço dela. Ela ainda acredita que eu posso ser um cara bom e preparado para viver em sociedade, mesmo eu dizendo várias vezes que meu problema é lidar comigo mesmo e isso se reflete em minha aversão às pessoas, principalmente quando começa a existir uma coisinha chamada "compromisso", coisa à qual eu não sei lidar. Quando as pessoas passam a contar comigo, eu me sinto acuado. Pois eu não quero ser responsável pelas pessoas, pelo que elas sentem ou pensam, pela forma como elas vivem ou deixam de viver.
Eu na verdade só quero um canto pra ficar sozinho e pensar na vida. Só quero ver pessoas uma vez por semana pra não enlouquecer por completo. Não quero atingir o tal Nirvana. Não quero largar isso daqui. Minha vida sem meus textos talvez faça sentido para quem estuda minha mente, mas não faz sentido pro principal envolvido na situação: eu.
Eu ainda sou o mesmo cara fudido de sempre. Se chegou até aqui, peço por favor que releve o devaneio que escrevi nesse texto. Isso nunca vai acontecer. Na verdade eu só escrevi esse monte de merda porque comecei a rir sozinho de pensar na possibilidade de EU ser esse cara. Eu não sou Gandhi. Nem Dalai Lama. Nem Cristo.
No fim das contas, eu sou mais fudido do que boa parte das pessoas. E tô gostando de conviver com esse cara. Tô aceitando. Minhas crises de ansiedade estão diminuindo, eu tô mandando mais pessoas irem tomar no cu e tô cuidando mais da minha saúde física também. As coisas estão bem encaminhadas para que eu progrida. E isso basta por enquanto. Talvez basta pra sempre.
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2019.01.07 16:07 Owlmaath Como posso fazer mais dinheiro?

Tenho 23 anos, dropei de 2 faculdades (psicologia e produção audiovisual). A primeira pela falta de interesse nas matérias e a segunda porque estava pesado para eu pagar sozinho.
Não tenho pai, nem mãe. A ajuda financeira que tenho é a de não precisar pagar nada de comida, luz, aluguel pois atualmente moro com minha namorada na casa da família deles (sim, eu acho isso ruim. Não, não sou o único, o filho da minha sogra também mora aqui com a noiva dele).
Eu quero cair de cabeça em alguma coisa que melhore minha vida financeira. Hoje eu percebo a grande importância disso que o meu eu juvenil ignorava para dar espaço a aspirações românticas da vida (cheguei a mochilar por aí sem trabalho, dependendo da caridade dos outros).

No momento tenho R$ 1000,00 guardados (o que é para mim um orgulho, já que só aprendi a ser comedido com minha grana à poucos meses atrás). Este dinheiro vou utilizar para quitar meus débitos com cartão de crédito (que não tenho e nem quero mais ter) e com uma empresa de telefonia que fiquei devendo. Feito isso tenho um fresh start na minha vida.
Atualmente recebo R$ 1.200,00 por mês.
Onde me jogo para fazer grana? Tenho pensado em trabalhar em cruzeiro pois meu Inglês é avançado.
Entar em outra faculdade não me parece bom, não quero ser empregado de uma empresa, quero ter um negócio próprio, mesmo que eu comece do nada, de vendedor ambulante. Não é para mim a rotina de 8 as 6 da tarde, me sinto suicida nessa posição. Sei disso pois hoje no meu cargo de horista me dou muito melhor com o trabalho e com o dinheiro que vem dele.

Tenho pensado também em cair de cabeça no mundo dos investimentos, estudar isso como se não houvesse amanhã, guardar dinheiro e entrar na vida de acionista/investidor.

O que vocês acham?
Se eu falei alguma asneira, por favor me perdoem, sou apenas um jovem tentando dar um norte na minha vida e ainda não sei exatamente como.
P.S -> Também já pensei em meter o pé para outro país e tentar a sorte lá, como já tenho uma certa experiência com a pura miséria, imagino que daria conta de ralar por um tempo até arranjar um trampo. Nova Zelandia? Austrália?
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2019.01.04 14:40 mrBatata O wage gap continua a ser um mito: revisited

Ok no meu último post houve algumas críticas com argumentos bastante sólidos os quais não me foi possível responder atempadamente especialmente por que fui ler os artigos associados. Achei por bem também partilhar com o sub visto que respondendo individualmente ia ser mais moroso e muitos não iam ver pontos contra o meu argumento que partilho em baixo. (Tirei excertos e fiz link das respostas para não ficarmos com uma parede de texto substancialmente maior)
Notas:
(fim das notas)

TL;DR

No post anterior simplifiquei um problema que não é tão linear.
Mas basicamente não encontrei nada que suportasse a ideia de discriminação ACTIVA contra o sexo feminino, contudo o wage gap nos casos em que depois de ajustado ainda existe pode ser explicado pela maternidade e decisões que a antecedem.
A tarefa de ter um filho influencia as escolhas e tempo gasto no trabalho, à medida que a mulher envelhece a wage gap volta a reduzir novamente. Em bastante suma https://youtu.be/13XU4fMlN3w

TL;DR2

Ver ultimo paragrafo #Reflexões

 

Intro

Antes de mais importa esclarecer que tanto o título deste post como o do anterior são propositadamente click-baity em que apesar de ter havido muita gente a ler o meu texto na íntegra houve muitos outros que pouco ou nada leram. Escrevi este post porque acho importante mostrar outros argumentos que não se alinhem com o meu ponto de vista, ou até de outros, especialmente num mar de desinformação e tempo e atenção limitados. O título transmite que o wage gap é inexistente a verdade é um pouco mais complexa como alguns utilizadores apontaram e bem. Eu pelo que li nesta segunda passagem fiquei com uma ideia mais clara do que é que pode estar a acontecer e falo dela no final.
No meu post original centrei o meu argumento em que ajustando para várias variáveis o wage gap começa a desaparecer. Apesar de isto ser verdade não representa a imagem completa mas dá uma ideia de que a frase “as mulheres não recebem o mesmo que os homens” é muito provavelmente falsa. E este era o ponto em que me devia ter apoiado, porque para além disto ser ilegal nos países em que o “Wage Gap” está em vogue, não há (pelo que já li) provas de que isto seja verdade CONTUDO existem outros fatores que a podem tornar verdade. Um deles foi apontado no post gilded do u/davidpinho (em que apresento um excerto)
Tu não leste as tuas próprias fontes, isso é certo. Por exemplo, no artigo sobre diferenças sobre produtividade diz: [...] Uma explicação plausível para a discriminação, se bem que ainda não provada:
This age path suggests that the pay gap between men and women without children but of childbearing age is due to statistical discrimination: if productivity falls with motherhood but employers cannot lower wages when women give birth, then employers may offer lower wages to productive women in anticipation of motherhood
Em que Statistical discrimination significa:
Statistical discrimination is an economic theory of racial or gender inequality which results when economic agents (consumers, workers, employers, etc.) have imperfect information about individuals they interact with. According to this theory, inequality may exist and persist between demographic groups even when economic agents are rational and non-prejudiced.
Isto é uma possibilidade, que falo mais à frente. Os empregadores têm certamente a oportunidade de o fazer. E como indicas:
”Se este tipo de discriminação é aceitável ou não, isso já é outra discussão.”
Deixo também os pontos da conclusão do u/davidpinho que também são bastante pertinentes:
  • Isto é só um estudo, não se pode olhar só para um. A grande maioria dos estudos encontra a mesma coisa: há diferenças de salários depois de controlar por outros fatores, se bem que a diferença é relativamente pequena.
  • Quero fonte para "Em muitos ajustes é a mulher que ganha mais do que o homem pelo mesmo trabalho e com a mesma formação". Não é isso que a maioria da literatura parece mostrar e não deste fonte específica para isso.
Não encontro a que me referia por memória(colocarei se encontrar) sei que já a li há mais de 2 anos. Entretanto:
  • Não podemos assumir automaticamente que há discriminação só porque há uma 'gap' que continua a existir. Pode haver outros fatores que causam as diferenças salariais, mas...
  • ...também não podemos automaticamente assumir que a discriminação não existe só porque a 'gap' desaparece depois de ajustes. Isto acontece porque, por exemplo, é possível que as mulheres tenham mais empregos part-time por serem discriminadas quando tentam arranjar empregos a tempo inteiro.
  • Existindo diferença salarial, é possível que a discriminação seja "racional", tal como foi aludido no artigo (a tal "discriminação estatística"). Se este tipo de discriminação é aceitável ou não, isso já é outra discussão. Isto é para dizer que a discriminação pode existir sem que os empregadores estejam a deitar dinheiro fora, as duas coisas não são mutuamente exclusivas.
  • Conclusão: isto é um assunto complicado e ainda nada está definitivamente explicado, para de mandar bitaites sobre coisas que não leste.
(Sim, não li na íntegra antes de escrever o texto leio várias coisas ao longo do ano é me quase impossível voltar a encontrar o que quero utilizar para justificar o meu ponto o artigo tinha pontos contra e a favor de ambos os argumentos, daí é que o diálogo é bastante importante na minha opinião, graças ao meu post anterior tomei conhecimento de outros pontos de vista que desconhecia. Um “bitaite” não é apenas uma afirmação sem sentido é uma afirmação de uma interpretação da realidade do observador. Não vou deixar de ter uma opinião se não sei todos os factos, contudo admito que a maneira que escrevi o meu post não foi a melhor e transmitiu uma ideia errada)
Algo que me apercebi com o post anterior e uma das razões que estou a fazer este é que isto é um problema que parece bastante simples mas na verdade é bastante mais complexo e envolve várias áreas (economia, política, gestão, biologia, cultura, psicologia (preferências pessoais)) como uma crise financeira este é um problema que não se resolve com um “dá-se mais dinheiro”. E isto é em parte o que irrita mais nesta situação que não é exclusiva ao “wage gap”, tendemos agora mais do que nunca a pegar em assuntos complexos e simplificá-los a um absurdo que deixa de ter sentido e descarrila completamente o debate. Existe também bastante “desinformação” sobre todo o tipo de assuntos (p.e: a própria Forbes fala contra e a favor do wage gap a vox também) e existe também quem espalha e lucra com contra informação (um dos exemplos mais famosos vem da industria de carvão nos EUA a emitir “estudos” que desprovam o efeito estufa e o aquecimento global).
Recomendo verem este curto vídeo sobre este mesmo tema chamado de “cigarros, slots e outras coisas não viciantes”.
 
Todos concordamos no entanto (salvo algumas exceções não devidamente fundamentadas) é que quando se ajusta para vários fatores a “gap” começa a desaparecer.
Em quase todos os artigos que li não vi mencionado é haja qualquer regra que se aplique irá a mesma mudar alguma coisa?
Talvez olhar para soluções para o que vemos como um problema nos possa mostrar de onde ele realmente vem. Vamos assumir então cenários EXTREMOS para termos uma ideia geral para onde as coisas inclinam.
Primeiro cenário:
  • Todas as empresas são obrigadas a ter quotas de sexos
As empresas vão se sentir pressionadas para balançarem produtividade com números, para além de que seria inconstitucional despedir o excesso de homens ou mulheres (sim há empresas com mais mulheres que homens).
Uma empresa de obras por exemplo; imaginemos que têm 100 empregados dos quais 5 são mulheres essa empresa seria agora forçada a contratar 90 mulheres para manter o balanço.
Estas empresas vão querer mulheres que tenham conhecimento de bricolage e construção que consigam transportar e mover cargas pesadas, vamos assumir que a própria empresa nem se importa de oferecer a formação. Existem algumas mulheres fortes que conseguem ser tão produtivas fisicamente como um homem mas quantas é que existem numa população de 10 milhões? Certamente que não estão distribuídas igualmente pelo país. E dessas quantas é que querem trabalhar em obras? A empresa pode forçar os homens a fazer o trabalho forçado e deixar as mulheres fazer o mais fácil mas durante quanto tempo é que isso é sustentável? Uma empresa destas tem de alocar vários empregados para vários locais e certos trabalhos são mais exigentes fisicamente do que outros. A empresa também pode ter as mulheres “encostadas na box” apenas para manter a quota mas isso não só é queimar dinheiro como ia rapidamente tornar-se num pesadelo de discriminação.
Vamos agora ver por exemplo um cabeleireiro; imaginemos que têm 5 mulheres este salão tem agora de contratar 5 homens para lá trabalharem. O salão vai querer contratar gays para manter um ambiente convidativo para mulheres (um cabeleireiro para muitas mulheres(>40 maioritariamente) é como um “fórum” onde podem interagir com outras mulheres, especialmente fora das cidades) Com >1% da população sendo homossexual não vai ser nada fácil para estes negócios encontrarem homens que consigam OU QUEIRAM ser cabeleireiros.
Mas em ambos os casos estas são as menores preocupações que as empresas enfrentam, os custos passam a ser um problema bastante sério. As empresas vão demorar e gastar bastante a treinar os novos empregados e quando os tiverem treinados não vai haver contratos externos/compras/serviços suficientes para ter todos eles a trabalharem logo vão ter de aumentar os preços, ou seja todas as empresas aumentam os preços (isto assumindo que todas as empresas conseguem encontrar pessoas para preencher o trabalho) Quero ver como é que depois convencemos a união europeia a nos dar mais euros para combater a inflação criada. Nem sequer mencionei os trabalhos que requerem formação avançada tipo medicina ou aviação em que as capacidades e não o sexo é que importam.
Segundo cenário:
  • Paga-se mais às mulheres do que aos homens, para fechar o “gap”
Primeiro não sei como é que vão conseguir fazer passar isto pelo tribunal constitucional. Uma solução possível era os homens fazerem menos horas. Isto ia ser no mínimo anedótico. Mas assumamos que passava a acontecer o que é que aconteceria?
Se as empresas tiverem de pagar mais às mulheres para diminuir a “diferença” os homens vão procurar outras formas de fazer mais dinheiro e/ou não se vão dedicar tanto à vida profissional porque não existe um incentivo para isso
Algo que todos sabemos mas parece que nos esquecemos uma parte do que leva homens a seguir empregos bem pagos é que podem usar o dinheiro e podestatus na estratégia sexual (antes de descartarem esta ideia como ridícula pensem em quantas e quais mulheres existem que estão a fim de suportar o parceiro monetariamente? E dessas quais é que querem viver com um homem com um status inferior ao delas?)
A estratégia sexual, na minha opinião, influencia provavelmente mais do que pensamos. Infelizmente não consegui encontrar literatura sobre isto a não ser livros e não estatística.

 

Outro ponto apontado por u/salazarcadositio oi a minha falta de objetividade quando digo que o wage gap é um mito e em que se me estou a referir às falas do "clássico 78 cêntimos do dólar" em que providencia este artigo do washington post.
Ou caso estivesse a dizer que o wage gap era mesmo um mito e não existia de forma nenhuma, em que mencionou o post do u/gattaca_now e que expande:
Sendo uma diferença entre dois valores estatísticos, o wage gap é real e existe. Podes é discordar acerca das razões pela qual ele existe e se são justas ou não, mas a diferença estatística existe, é factual.
A média salarial dos homens é mais elevada que a média salarial das mulheres. Este parece ser um problema comum a discussões de assuntos mais ou menos sérios. Não se define bem do que se está a falar à partida e depois tens pessoas a falar um para o outro mas de coisas diferentes. Já começas a ter muitos exemplos disso nos comentários.
Mas isto é uma discussão importante de se ter. Pelo que vejo do teu post acho que estás a dizer que a noção de wage gap não existe como a ideia de que "para o mesmo trabalho uma mulher recebe 78 cêntimos de dolar de um homem" o que eu concordo em grande parte. Mas aceitas que existem diferenças salariais e que estas advêm de questões culturais e biológicas.
A questão de combater o wage gap, quando abordada de forma séria e para lá do soundbite dos "78 centimos", é essa mesma, que para lá do soundbite dos "78 centimos". As questões culturais que fazem com que assim seja e se elas são legitimas ou se devem ser mudadas.
As horas de trabalho que falas, os tipos de carreiras que predominam mais num sexo do que no outro, e as responsabilidades familiares que as mulheres assumem. São essas as questões culturais que se devem discutir neste assunto.
Muitas vezes este assunto acabe em: "devem existir igualdade de oportunidades entre os sexos mas não igualdade de resultados". E que no panorama geral das sociedades ocidentais isso já se verifica. Eu concordo com a premissa mas discordo que já lá tenhamos chegado.
Alguns exemplos: * As mulheres ainda são quem a maioria do trabalho domestico num contexto familiar. Fonte.
  • Ainda existem fortes estereótipos e expectativas associadas com ambos os sexos que afunilam cada um para certos campos Fonte
  • As mulheres continuam a ser prejudicadas a longo prazo pelo facto de terem filhos Fonte
Todos estes fatores influenciam o tal wage gap que existe. Podemos discutir como sociedade se são fatores que devemos ou não mudar. Se são ou não coisas que se devem deixar á escolha pessoal de cada um com as consequências que isso trará para a sociedade. Essa é a verdadeira discussão a ter neste assunto.
Concordo!
Mas tudo isto não tem em conta a parte mais importante: as diferenças biológicas entre os sexos. Mais concretamente diferenças neurológicas, que são uma surpresa para muitos. Esta explica bem porque é que as mulheres preferem trabalhar com pessoas e os homens com coisas.
Isto está longe de ser aceite como facto. Se tiveres uma fonte gostaria de ler mas nunca vi nada que fosse capaz de ligar a biologia a esses efeitos sociais de forma conclusiva.
Tenho sim apesar de que provavelmente não deveria ter dito a primeira parte.
Com esta merda de querermos ser todos iguais estamos completamente a ignorar as nossas limitações biológicas e culturais e em muitos casos a danificar o progresso que tanto queremos fazer.
Concordo que a discussão precisa de ser melhor mas "esta merda de querermos todos ser iguais" continua no meu ponto de vista a ser um objetivo nobre e bom para a sociedade. As limitações culturais estão nas nossas mãos mudar e as biológicas não parecem ser de todo impedimento para que o façamos.
O “querermos ser todos iguais” é mais o queremos igualdade de resultado ou mais privilégios de forma egoísta.

 

O u/rui278 e outros também apontaram e bem para a questão biológica de Inato ou Adquirido E, isto é, algo que só saberemos em 2066 quando o estudo de Peter B. Neubauer for publicado. Mas por algumas fugas de registros censurados(=redacted) parece que a biologia afecta mais do que o ambiente. Esse psicólogo tem alguns trabalhos bastante interessantes sobre desenvolvimento btw. Entrei novamente numa tangente.
[...]Ou seja, o wage gap não é um problema in of itself, é uma consequencia dos vários problemas de base na nossa sociedade que puxam os homem e mulher para terem posições diferentes na sociedade. Em teoria deveria ser +/- equiprovavel encontrar homens e mulheres na mesma posição (o único fator relevante que diferencia entre homens e mulheres é mesmo as licenças de natalidade, mas lá está, também há uma pressão grande para serem os 6 meses gastos pela mulher, quando splits do tempo deveriam ser perfeitamente normais e também ajudariam a fazer com que isso fosse menos fator).
Eu muito antes disto tudo concordaria contigo na primeira parte (no final estamos de acordo), deveria ser natural encontrar homens e mulheres igualmente distribuídos mas se avaliarmos a nível de estratégia não faz muito sentido. Imagina que éramos todos hermafroditas ou seja podíamos escolher fecundar ou ter bebés; ok aqui era tudo definitivamente igual. Então o que teria mais peso neste cenário? A gestação. Iria requerer bastantes cuidados da pessoa que decidisse dar à luz. Portanto interessa-me várias coisas:
  • evitar situações de risco ao máximo
  • ter um parceiro que me pudesse suportar
  • ter um maior controlo sobre o meu futuro
  • e não ter compromissos
Estas são as regras para ter uma estratégia bem-sucedida quantas menos tiver mais precária se torna a minha posição. Agora isto também depende bastante do parceiro que escolher se ele não se comprometer fico na merda e pior do que estava porque agora tenho um parasita dentro de mim. E na vida real vemos isto todos os dias, as mulheres decidem com quem ter sexo (ou não) e os homens decidem com quem se comprometer. As nossas diferenças biológicas (PELO MENOS SEXUAIS) influenciam as nossas decisões e comportamentos. Claro que isto é oversimplified mas acho que dá para dar uma imagem de porque é que acho que esse é o caso.

 

Quanto ao [comentário]() da u/grilledpotato90 :
Antes de mais, peço desculpa pela formatação, pois estou a escrever no telemóvel. Segundo esta estatística da OCDE (https://stats.oecd.org/index.aspx?queryid=54757) as mulheres portuguesas, no total, trabalham mais 90 minutos por dia que os homens. O que é que isto tem haver com a Gender Gap? Bem, se analisarmos o total de minutos por dia de unpaid labour, conseguimos observar uma discrepância enorme entre géneros (M 96.3 min/dia e F 328.2 min/dia). Eu acho que é aqui que está a origem e a justificação do Gender Gap. Os homens e as mulheres não dividem por igual (50/50) as tarefas domésticas.
Sim! Concordo, vês que as mulheres passam bastante mais tempo em trabalhos não remunerados (232 minutos ou 3 horas e 52 minutos a mais do que os homens ou 5:28 no total (estamos atrás do méxico em n1 e da índia em n2)) do que os homens (que gastam no total 1h:36m) e que os homens passam 141 minutos (2 horas e 21 minutos) a mais do que as mulheres em trabalhos remunerados. E está presente em TODOS os países nessa fonte. O que sugere que poderá ser mais do que um aspecto cultural.
Mas também vejo discrepâncias especialmente na Suécia, na Dinamarca, na Noruega e na Holanda os Homens trabalhem tanto mais em trabalho pago que acabam no total por trabalhar muito mais tempo que as mulheres, estamos a falar de países bastante balançados a nível de sexo. O que é estranho. Será que os homens estão a compensar por algo? Outra coisa, nós também não conseguimos dizer o que tem mais peso no trabalho não remunerado:
Time spent in unpaid work includes routine housework, shopping, care for household members, child care, adult care, care for non-household members, volunteering, travel related to household activities, and other unpaid activities. Sem querer atirar areia à cara porque é absolutamente garantido que as crianças gastam bastante desse tempo, mas quanto?
Isto é um fenómeno cultural que não está certo.
Não está certo porquê? Queremos obrigar as mães grávidas a fazer a mesmas atividades de não grávida para compensar minutos gastos em trabalho não remunerado? É que 9 meses (na verdade 10 porque são 39.1 semanas) é bastante tempo mesmo excluindo os meses iniciais. Quanto desse tempo está incluido nos minutos da OCDE? Não sabemos.
Certamente que não vamos fazer como aos cavalos marinhos e passar os fetos para o pai acabar a gestação. E depois de nascidos quantas mães é que querem que o bebé passe a maioria do tempo com o pai? Isso é justo para a mãe? Neste ponto também me questiono; é justo para os pai trabalhar mais horas laborais do que a mãe?
Antes da entrada da mulher no mercado de trabalho entendia-se, mas hoje em dia, em que as mulheres trabalham as mesmas horas que os homens nos seus empregos é inadmissível!
Os homens trabalham mais. Em todos os países da fonte. E então qual é o problema se as mulheres trabalharem menos horas no emprego? E aqui acho que está outro ponto importante da discussão. O que é que é justo? Certamente que todos concordamos que tanto as mulheres como os homens têm os mesmos direitos. Mas com direitos vêm responsabilidades, e, a meu ver algumas mulheres, partidos políticos e o movimento “feminista de 3.ª onda” têm usado o wage gap como arma de arremesso para dar mais direitos às mulheres com muito menos responsabilidades, ATENÇÃO que não estou a dizer que todas as mulheres subscrevem a esta ideologia muito menos que as mulheres não têm já responsabilidades e dificuldades suficientes estou a dizer que é tudo muito bonito dito mas são basicamente argumentos de casas de cartas. [E este é um ponto que é difícil de expressar e que pode ser mal compreendido.]
"Porque é que as empresas não contratam mais mulheres, já que lhes pagam menos?" pela mesma razão a que continuam a preferir contratar homens a mulheres.
Mas onde está a prova de tal? Não digo que não possa ser verdade O/A u/TomTomKenobi apontou para uma boa thread no wiki do economy e que também fala disso, faz o ponto de que “cannot assume economic outcomes from a deductive approach alone” algo que fui um pouco culpado de fazer no post anterior.
As mulheres engravidam, os filhos estão doentes e elas depois faltam, etc.
O pai também tem direitos paternais nada obriga a mãe a ser ela exclusivamente a tratar dos putos. E se queremos ser justos neste ponto vamos fazer com que os divórcios dêm a guarda ao pai por defeito em vez de à mãe. Uma grande parte desse problema desvanecia. Se os filhos são um problema tão grande e se como sociedade queremos ser tão igualitários porque é que as mães ficam sempre com a guarda dos filhos? Também não acho justo. Porque é que os Telejornais falam tanto de “wage gap” mas não de guarda paternal ou partilhada? Saí numa tangente mas achei que era pertinente levantar este ponto.
O Gender Gap é real porque devido à fisionomia da mulher e ao seu papel social, esta é sempre vista como uma "liability" para a empresa.
Woah calma lá, o Gender gap é real porque a fisionomia da mulher é X é fazer uma grande ligação. Não digo que não possa ser verdade mas a nível de afirmação é um grande salto.
Até têm menos acessos a promoções devido a esta expetativa social.
Isto não é verdade. Os homens são os que mais trabalham para e pedem promoções, e uma coisa que muitas pessoas acham é que uma promoção é equivalente a ganhar mais dinheiro, uma promoção envolve muitas mais responsabilidades mais horas de trabalho e mais stress coisa que as mulheres não estão para aturar. Menos ainda se ainda não tiveram filhos. O que se pensarmos faz sentido. Se eu não tenho um filho ou família e se o meu corpo vai se degradar ao ponto que já não me é possível ter um no futuro não vou dar um “LEROY JENKINS” no meu emprego e perder a oportunidade de ter descendentes.
E antes que venham com “ah e tal mas as mulheres ganham menos em promoções” segundo o “bureau of economic research” americano apesar de haver uma diferença de 2,2% em promoções que já levava em conta as mulheres escolherem mais trabalhos como assistentes e trabalho administrativo que raramente tem oportunidades de promoção e os homens escolhiam mais trabalhos em áreas em que era possível a promoção, importa notar também que este estudo é de 1995
Uma das fontes de onde tirei o seguinte é bastante tendenciosa e não apresenta os dados em avulso mas chega a pontos pertinentes que convenientemente decidem não endereçar. Algo que também importa notar é que isto é um questionário e é americano. Usei para não dizerem que eu pesquiso por aquilo que me é favorável. Eu encontro discrepâncias e analiso.
Fewer women than men are aiming for the very top. Among senior managers, 60% of women said they want to be a top executive, compared to 72% of men. Women were also more likely to cite stress and pressure as one of the biggest reasons for not wanting to hold top positions.
Contrary to popular belief, women are not leaving their organizations at higher rates than men. In fact, women in leadership are more likely to stay with their companies than men. At the senior vice president level, women are 20% less likely to leave. Women in the C-suite are about half as likely to leave their organizations as men.
Women often start out in line roles (defined as positions with profit-and-loss responsibility and/or focused on core operations), but by the VP level more than half of women hold staff roles (positions in functions that support the organization like legal and IT). Men, on the other hand, are more likely to hold line roles at every level of an organization. This difference poses a potential problem because line roles frequently feed into senior leadership.
There's a common misconception that women who start families are subsequently less ambitious in their careers. But mothers in the survey were 15% more interested in being a top executive than women without children.
Very few people participate in flexibility and career-development programs offered by their organizations. More than 90% of women and men believe taking extended family leave will hurt their position at work.
Se os homens dedicarem o mesmo tempo no trabalho doméstico que as mulheres, deixa de haver este problema!
Eu diria que continuaria a existir, já vimos que há muito mais variáveis a este problema, mas concordo que tornava o trabalho das mães muito mais fácil.
Mas agora não venham para aqui dizer que o Gender Gap é mentira quando em todas as entrevistas de emprego me perguntam quais são os meus planos em relação a casar e a ter filhos!
Aqui acho errado e não sei se não poderás reportar isto a alguém. É completamente desnecessário e ninguém tem um caralho a ver com isso a não seres tu.
O/A u/crouchingvenus escreveu:
[...] os que já são pais focam se em melhorar o estilo de vida da família o que implica focarem-se mais no trabalho.
Não achas que isto é um problema? Porque é que são as mulheres incentivadas a dedicar mais tempo à família e os homens ao trabalho?
Não, não acho. Porque ninguém as está a forçar a isso. Se estivessem a ser forçadas sim achava bastante errado. E ninguém é forçosamente incentivado a fazer nada. Exceto as mulheres a seguirem carreiras STEM (ciência(Science), Tecnologia, Engenharia e Matemática) Não achas que isto é um problema? Especialmente quando o quão mais igualitária é uma sociedade menos as mulheres escolhem estas áreas.
Todo o teu raciocínio só reforça preconceitos de género e valores sociais bafientos. Entra em 2019 please.
Por favor elucida-me como. Eu diria mesmo o oposto, se tivermos dados e entendermos os problemas que enfrentamos e os tentarmos resolver é benéfico para todos não achas?

 

O u/DogsOnWeed também mencionou que os homens terem direito de licença de paternidade também ajudaria a corrigir desigualdades estatisticas.

 

Reflexões

O que conseguimos dar como certo:
  • Ninguém aqui quer que as mulheres sejam discriminadas
  • Queremos igualdades de oportunidade
  • O 77 cents on the dollar vem do Current Population Survey de 2009 do Bureau of Labour Statistics US
  • As mulheres trabalham mais em trabalhos temporários (Várias fontes)
  • Os homens trabalham mais horas extra (Várias Fontes)
  • As mulheres tendem a ocupar trabalhos que pagam menos (Várias fontes)
  • As mulheres tendem a escolher trabalhos que não facilitam a promoção
  • As mulheres ganham mais em trabalhos temporários (entre 1 a 34h) por semana do que homens (Bureau of Labour Statistics US)
  • 25% das mulheres e 12% dos homens trabalham em trabalhos temporários (Bureau of Labour Statistics US)
  • 11% das mulheres e 22% dos homens trabalham mais de 41 horas (Bureau of Labour Statistics US)
  • As mulheres que nunca casaram recebem EM MEDIA 5% menos do que os homens (Bureau of Labour Statistics US)
  • As pessoas que trabalham horas extraordinárias recebem cerca de 5 vezes mais do que as que trabalham em part time.(Bureau of Labour Statistics US)
Algo que descobri a investigar para escrever este post foi que segundo dois papéis da Claudia Goldin (este e este) que me foram referidos por esta peça da Vox
É que o wage gap pode ser explicado pelos custos de ter um filho e as curvas nos gráficos do papel e do vídeo parecem ter uma correlação com o aumento da idade média em que as mulheres têm o primeiro filho (Indicato>Dropdown />Mean age of women at childbirth) e que encaixa bem quando vemos que as mulheres mais ricas do mundo têm mais de 55 anos.

 

Enquanto os comentários anteriores dedicaram lógica, dados e contra argumentação outros simplesmente atiraram este papel do World Economic Forum várias vezes com “oh mas este desprova tudo isso” acho que se lerem apenas a introdução entendem logo porque é que não lhe dei o tempo do dia. E não é um estudo é mais é uma aglomeração de valores que esperam que a distribuição de homens e mulheres seja 50:50 em tudo (excepto em taxas de mortalidade por exemplo) algo que outros users foram rápidos a comentar.
Acho também um bocado triste haver comentários com discussão pertinente serem downvoted porque têm uma visão diferente e foi óbvio pela altura em que os downvotes apareceram que foi uma birra de “isto está contra o que eu acredito” “pumba, downvotes para todos”. Não façam isso, downvotes não mudam opiniões.
   
Fontes:
https://www.theguardian.com/world/2018/jul/23/women-lying-earning-more-than-husbands-us-census
https://www.nytimes.com/2018/07/17/upshot/when-wives-earn-more-than-husbands-neither-like-to-admit-it.html
https://www.vox.com/2018/2/19/17018380/gender-wage-gap-childcare-penalty
https://www.payscale.com/gender-lifetime-earnings-gap
https://www.youtube.com/watch?v=13XU4fMlN3w
https://iwpr.org/wp-content/uploads/wpallimport/files/iwpr-export/publications/C350.pdf
https://web.archive.org/web/20101126032209/https://www.bls.gov/cps/cpswom2009.pdf
https://web.archive.org/web/20181130100719/https://arxiv.org/pdf/1703.04184.pdf
http://siteresources.worldbank.org/INTPAH/Resources/Publications/459843-1195594469249/HealthEquityCh12.pdf
http://cep.lse.ac.uk/pubs/download/dp1156.pdf
https://scholar.harvard.edu/files/goldin/files/goldin_aeapress_2014_1.pdf
http://scholar.harvard.edu/files/goldin/files/dynamics_of_the_gender_gap_for_young_professionals_in_the_financial_and_corporate_sectors.pdf
 
Outros comentários interessantes u/TomTomKenobi com este, u/harlequin90 com este e u/agaeme com [este]() em que menciona este video que não consegui ver porque não tenho netflix
Edit: Formatação (raio do reddit e o novo markdown) e ortografia
Edit2: Adicionei TL;DR
submitted by mrBatata to portugal [link] [comments]


2018.07.17 12:10 seth_br Adolescência

Saudações pessoal do reddit, sempre quando estou com um problema muito pesado na minha cabeça e que já me incomoda há algumas semanas decido vir aqui e desabafar sempre... pois bem tenho 16 anos, estou no segundo ano do ensino médio e como é de costume penso o que quero pro meu futuro e que no caso penso em uma faculdade.. ou melhor não penso mais, até pouco tempo eu achava que queria fazer psicologia mas percebi que era só algo pra responder pra família que sempre perguntava o que eu queria fazer e psicologia parecia perfeito pra mim, mesmo sem analisar direito se encaixava.. eu cheguei à uma conclusão de que não é isso que quero ou melhor não quero absolutamente nada na faculdade, nunca me interessei por estudar, apesar de eu ter capacidade pra ser o melhor da escola, eu não gosto nem um pouco de estudar. Para mim o único motivo para ingressar uma faculdade é de que estarei rodeado de pessoas novas mas fora isso, não vejo nenhum sentido em ficar preso alguns semestres fazendo algo que detesto. Sou apaixonado por música, violão, guitarra, mas também não quero ser uma estrela do rock e blá blá blá, só é uma paixão mesmo, acho que iria amar fazer faculdade de música ou de arte que tivesse relação com isso mas como dizem no nosso Brasilzão provavelmente após o término disso eu ia ficar desempregado e tomar naquele lugar. Sério, sei que tem muita gente aqui que já passou por isso, me dá uma ajuda...
Desculpa pelo texto enorme
submitted by seth_br to brasil [link] [comments]


2018.05.20 02:46 peremptoriamente Por que a universidade é tão difícil? (ou como ser o melhor quando te impõem isso)

Esse é meu primeiro ano de faculdade. Durante muito tempo fiquei cursando pré-vestibular e tentando descobrir o que gostaria de fazer da minha vida, tendo medicina como foco, inicialmente, mas chegando à conclusão no ano passado que meu curso seria psicologia. Pois bem: entrei numa federal fora do meu estado e, ao chegar lá, me vi completamente sozinho e desamparado. Venho de uma família pobre que vem fazendo um esforço imenso para me manter aqui, de forma a estar proporcionando uma educação universitária que apenas eu, em toda a família, tive/tenho o privilégio de ter. O problema, no entanto, inicia-se ao chegar à universidade. Lá, percebi que a maioria das pessoas da minha turma vêm de outras regiões do país, sendo eu o único a vir de uma, geopoliticamente falando, "privilegiada". Juntando isso à mentalidade revolucionária e marxista dos cursos de humanas, logo passei a ser o símbolo de tudo que aquelas pessoas abominam: uma pessoa privilegiada não somente monetariamente como também geograficamente, visto que minha região recebe mais atenção midiática do que as demais. No entanto, os estereótipos foram evoluindo de forma que já não condizem com a minha realidade. Consigo entender que as pessoas que vivem em regiões com estereótipos negativos pregados pela mídia tenham um certo "ranço" das pessoas provenientes das mais privilegiadas. Porém, vir de um lugar """""positivamente"""""" estereotipado como privilegiado não me torna, necessariamente, o estereótipo de pessoa que vive neste lugar. E é justamente esta a mentalidade das pessoas que convivem comigo atualmente; tratam-me como se fosse um opressor das minorias mesmo eu reconhecendo que são minorias; falam que não entendo alguns dos seus sofrimentos mesmo eu já tendo passado por situações similares; me impõem uma mentalidade que não condiz com a que tenho só para me humilhar e tratar sobre a deles, ignorando minhas opiniões e desacreditando quando falo sobre minhas experiências como se fosse impossível sofrer estando numa cidade como a que vim. Enfim, não vou me prolongar mais e peço desculpas pelo post imenso. Levei muito a sério essa ideia de desabafo e espero que tenha conseguido deixar claro o quanto isso vem me incomodando. Reconheço que não é, nem de longe, o pior problema que alguém pode passar na universidade, mas é algo que me incomoda e atrapalha não somente meus estudos como também meus planos de prosseguir com o curso.
submitted by peremptoriamente to desabafos [link] [comments]


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